Justiça decreta prisão de PMs suspeitos de morte de garoto no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ O cabo William de Paula, de 36 anos, e o soldado Elias Gonçalves da Costa Netto, de 30 anos, indiciados pela morte do garoto João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado na cabeça durante uma perseguição, estão presos no Batalhão Especial Prisional, em Benfica, subúrbio do Rio. Segundo a PM, a prisão, pedida pelo juiz de plantão do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro, Ricardo Rocha, é por 30 dias prorrogáveis por mais 30.

Redação |


A assessoria da PM informou que a corporação abriu uma sindicância para apurar o ocorrido. Nessa terça-feira, o governador Sérgio Cabral garantiu a expulsão dos dois ¿ que atiraram segundo testemunhas cerca de 30 vezes contra o veículo de Alessandra Amorim, mãe de João - da corporação. Estão fora da PM. Não tem conversa. Estão fora, como já foram para fora 300 (desde o início do seu governo), disse.

O governador os chamou de dupla de débeis mentais, sem discernimento e de assassinos. Na opinião de Cabral, João Roberto foi uma vítima da incompetência dos dois policiais que abordaram o carro da mãe.

Para sair da PM, eles devem passar por um inquérito administrativamente e depois uma comissão interna vai avaliar se eles devem ou não ser banidos.

Por volta das 18h30 dessa terça, os envolvidos na morte do garoto foram à 19ª DP (Tijuca) prestar depoimento, mas os advogados da dupla disseram que eles só vão dar declarações em juízo. O relatório com as conclusões do inquérito deve ser entregue até esta quarta-feira, quando deve sair o laudo da perícia realizada no carro da mãe de João para saber o número de disparos efetuados.

A Polícia Civil também aguarda receber o projétil retirado da cabeça da criança para anexar aos laudos. As imagens de câmeras segurança de edifícios localizados na rua General Espírito Santo Cardoso, onde ocorreu o fato, mostraram que não houve troca de tiros entre os policiais e bandidos.

O corpo de João Roberto Amorim Soares foi enterrado nesta terça-feira  no Cemitério do Caju, na região portuária do Rio. Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do menino, morto por PMs no domingo na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. 

Desabafo do pai

Na segunda-feira, o pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho estava internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer quatro anos no dia 29.

AE
João Roberto tinha três anos
João Roberto tinha três anos
Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família. Metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

Segundo o taxista, Alessandra, sua mulher, voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de nove meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

"Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça ficou alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

De acordo com testemunhas, a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia.

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