Justiça de SP decreta prisão de pais suspeitos de tortura

A Justiça do município paulista de Guarujá decretou hoje a prisão preventiva do casal acusado de torturar os cinco filhos. Fábio da Luz Garcez, de 31 anos, e Priscila Cristiane Rosa, de 25, foram presos na noite de ontem e se encontram recolhidos na cadeia anexa à delegacia-sede do município.

Agência Estado |

Ambos negaram a autoria do crime, responsabilizando os próprios filhos, de agredirem uns aos outros. A mãe chegou a afirmar que dava tapas nas crianças, "mas não para deixar marcas e bolhas".

Os maus tratos foram denunciados no sábado pelos vizinhos quando o tio-avô dos meninos, acompanhado do Conselho Tutelar da cidade, compareceu à residência, localizada na Vila Áurea, constatando as agressões. No momento em que chegaram à casa, as crianças, com idades de 2 a 9 anos, estavam sozinhas, sujas, com fome e apresentavam cicatrizes no tórax e nas costas, além de bolhas nos pés e nas mãos provenientes, segundo relataram, de palitos de fósforos acessos pelos próprios pais.

A menina mais velha, de 9 anos, afirmou que os maus tratos vinham ocorrendo há muito tempo, desde quando ainda era muito pequena. Ela lembrou detalhes da tortura, praticada não só contra elas, mas também contra a mãe, que assistia a tudo e não fazia nada para defendê-las. Ontem, as crianças foram examinadas por peritos do Instituto Médico Legal (IML), que conclui que elas foram vítimas de tortura. As crianças estão abrigadas na casa de parentes, com acompanhamento do Conselho Tutelar.

Indiciamento

Segundo a delegada Thelma Kássia da Silva, os pais serão indiciados por abandono de incapaz, cárcere privado e tortura. "O aumento da pena ocorre em razão de o crime ser praticado pelos próprios pais", afirmou. A avó materna das vítimas, Célia Aparecida Araújo, confirmou a versão das crianças ao lembrar que a neta mais velha chegou a pedir para que fosse morar em sua casa, porque "eles judiavam muito dela". "A menina até contou que os pais não estavam deixando que freqüentasse a escola, porque a diretora ou a professora poderiam observar as marcas e concluir que a menina estava sendo torturada."

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