SÃO PAULO - O borracheiro José Barra Nova de Melo, conhecido como Zé da Pipa, e o seu sobrinho William Melo de Souza foram condenados pelo crime de atentado violento ao pudor praticado contra dez crianças na cidade de Catanduva, interior de São Paulo. O juiz Celso Maziteli Neto condenou o borracheiro à pena 11 anos, 11 meses e 15 dias de prisão e William a sete anos e seis meses de prisão.

Ambos poderão recorrer da sentença, que foi dada nesta quinta, mas o juiz determinou que apenas William pode fazê-lo em liberdade. Segundo o promotor Antonio Bandeira Neto, o julgamento transcorreu sem problemas. A sentença foi justa. O Ministério Público está plenamente satisfeito com a sentença, disse ele. 

As crianças vítimas de abuso sexual e seus pais acompanharam o julgamento, realizado no Fórum de Catanduva. Indagado se isso não seria expor demais as crianças, o promotor disse que não, já que os réus não estavam presentes.

As primeiras denúncias da existência de abusos sexuais contra crianças de Catanduva foram conhecidas em dezembro do ano passado. As investigações apontavam que dez crianças teriam sido aliciadas pelo borracheiro com promessa de distribuição de pipas e balas, contando com a ajuda do seu sobrinho. Em fevereiro, um segundo inquérito policial foi aberto para apurar a participação de outras pessoas numa suposta rede de pedofilia existente na cidade.

Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o promotor afirmou que o segundo inquérito policial, cujas investigações continuam, também é aplicado aos mesmos réus: José Barra Nova de Melo e William Melo de Souza, já que não ficou comprovada, até o momento, a participação de outras pessoas.

O primeiro inquérito policial redundou num processo-crime. Nesse processo criminal, foram os dois réus. Surgiram então novas vítimas e com indícios de novas pessoas [acusados]. Foi daí que surgiu essa idéia de rede mundial de pedofilia. Foi instaurado um segundo inquérito onde, até o presente momento, não se apurou nenhuma novidade, explicou Bandeira.

De acordo com ele, o segundo inquérito, que não está sob sua responsabilidade, chegou a cogitar que o crime tivesse sido praticado contra 61 crianças, mas só ficou comprovado abuso sexual contra 16. Para o promotor, pode ter havido exagero na divulgação do número de vítimas do suposto esquema de pedofilia na cidade.

Ou a pessoa praticou e deve ser responsabilizada pelo atentado violento ao pudor, ou deve-se averiguar quais pessoas inventaram toda essa história, podendo ser responsabilizadas pelo crime de denunciação caluniosa, afirmou o promotor.

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