Justiça concede liberdade a Cabrini

SÃO PAULO - A juíza Maria Fernanda Belli, do Departamento de Inquéritos Policiais e Policia Judiciária (Dipo) de São Paulo, concedeu na noite desta quinta-feira liberdade ao jornalista Roberto Cabrini, da TV Record. Cabrini deixou a prisão ainda na noite desta quinta-feira. Cabrini estava detido desde a noite de terça-feira, quando foi preso com papelotes de cocaína em uma favela na região do Jardim Herculano.

Redação com agências |

Ele estava acompanhado de Nadir Domingos Dias, de 49 anos, conhecida como Nádia. A mulher afirma ser namorada do jornalista. No porta-objetos do carro foram encontrados 10 papelotes de cocaína - a droga foi anexada ao inquérito como prova material do flagrante.

No depoimento à polícia, Cabrini disse desconhecer a origem da droga ou ser o dono dela. E afirmou ao delegado do caso, Ulisses Augusto Pascolati, que Nádia era uma de suas principais fontes com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que marcara o encontro na favela porque ela lhe prometera três DVDs - um com imagens de maus-tratos em presídios e dois com depoimentos de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa.

"Vítima de armação"

Um dia após a sua detenção, Cabrini enviou uma carta à imprensa na qual alega estar sendo "vítima de uma armação, em virtude de estar investigando assuntos que incomodam a muitas pessoas".

Cabrini explica que a investigação está relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), caso em que diz atuar há dois anos.

"Jamais parei de investigar (o caso do PCC) e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho", afirma na carta.

O jornalista conta que uma fonte lhe procurou para entregar fitas relacionadas ao caso. "Neste material, o líder confirma a autenticidade da entrevista e fala sobre os fatos que envolveram os ataques de 2006."

Ainda segundo Cabrini, ele já havia assistido a 40 segundos da gravação e fontes do PCC disseram que "esclarecimentos sobre o que aconteceu durante os ataques só poderiam ser feitos quando sua revelação não representasse riscos à integridade física de vários detentos".

Três DVDs seriam entregues ao jornalista na zona sul de São Paulo, ontem, em encontro marcado com uma fonte. "Ao invés de receber fitas, houve, sim, uma abordagem policial."

E conclui: "Apesar de tudo, comunico que sempre protegi e protegerei minhas fontes, afinal considero o respeito entre fonte e jornalista um dos princípios mais sagrados da minha profissão."

Comunicado da Record

A direção da rede Record comunicou à imprensa que "tinha o registro interno que o repórter estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo". Também disse que Cabrini é reconhecido pela sua cobertura de reportagens especiais e por sua trajetória profissional nas principais televisões brasileiras.

Por fim, a emissora afirmou que "acredita na Polícia e na Justiça do Estado de São Paulo e espera a correta elucidação dos fatos".

*Com informações da Agência Estado

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