Justiça concede habeas-corpus a suspeito de liderar máfia dos fiscais

SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo concedeu nesta terça-feira habeas-corpus do ex-chefe da Unidade de Fiscalização da Subprefeitura da Mooca, Felipe Eivazian, suspeito de integrar a máfia dos fiscais que agia na região do Brás. Ele é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como elo entre dois grupos acusados de extorquir ambulantes do Brás.

Redação com Agência Estado |

Felipe foi beneficiado pela decisão do desembargador Roberto Mortari, da 15ª de Direto Criminal do Tribunal de Justiça, que no dia 17 concedeu a liberdade para o advogado Leandro Gianassi Severino Ferreira.

Na terça-feira, a defesa dos irmãos Felipe e Marcelo Eivazian, ex-assessor político da Subprefeitura da Mooca, conseguiu estender os efeitos da liminar também para Felipe. Marcelo continuará detido.

Agora, dos 11 presos por suspeita de integração na máfia, cinco continuam presos e seis respondem em liberdade.

Denúncia

O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo ofereceu, nesta terça-feira, à Justiça denúncia contra as 13 pessoas acusadas de integrar a máfia.

O grupo era investigado desde março pelo MPE, segundo informou em nota divulgada à imprensa. Os acusados foram flagrados, por interceptações telefônicas, exigindo dinheiro para permitir a ação de vendedores ambulantes e carrinhos de lanche que não possuem licença da Prefeitura, informou o MPE. Eles foram acusados formalmente de "formação de quadrilha, concussão, concurso material e co-autoria".

O grupo teria, ainda, conseguido arrecadar, ao longo de 15 meses, R$ 15,9 milhões. No Largo da Concórdia, por exemplo, a quadrilha cobrava semanalmente R$ 1 mil de cada um dos 500 vendedores do local, segundo o MPE. No Brás, o grupo arrecadava entre R$ 10 e R$ 20 por semana de cada um dos mais de 7 mil vendedores ambulantes da área.

Foram denunciados os fiscais Edson Alves Mosquera, Ronaldo Correa da Silva e Nilson Alves de Abreu; os camelôs Ademir Batista, Juvemar Pinto dos Santos, Maria Ivanilde Lima da Silva, Manoel Severino Bezerra de Melo, Hugo de Santana Andrade, João Jorge Cunha e Liziomar Rodrigues de Souza; o advogado Leandro Giannasi Severino Ferreira, Georges Marcelo Eivazian; o assessor lotado na Subprefeitura da Mooca, e o irmão dele, Felipe Eivazian, chefe da Fiscalização daquela subprefeitura. Mosquera é considerado o líder do grupo.

Nova máfia dos fiscais

Há dez anos, com a ajuda de camelôs, o Ministério Público de São Paulo conseguiu desmontar o maior esquema de corrupção já visto na capital. Na época, foi descoberto que vereadores indicavam subprefeitos, que atuavam com fiscais que exigiam o pagamento de propina. Várias prisões foram denunciadas e 600 pessoas foram denunciadas.

O esquema ocorreu inicialmente na administração Celso Pitta - que foi preso na operação Satiagraha, da PF - de 1993 a 1998.

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