Justiça concede habeas corpus parcial para Adriana Villela

Filha de casal assassinado passará os 12 dias restantes de sua prisão temporária em casa, no Lago Sul, à disposição da polícia

Fred Raposo, iG Brasília |

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) concedeu esta quinta-feira habeas corpus parcial para Adriana Villela, 46 anos, apontada pela polícia como principal suspeita do triplo homicídio na 113 Sul.

Por dois votos a um, a Primeira Turma Criminal do TJDFT entendeu que a filha dos Villela deve ser mantida em “liberdade restrita”, pois não ofereceria risco de atrapalhar as investigações. Ela não poderá deixar a sua casa, no Lago Sul, pelos próximos 12 dias, que restam da prisão temporária.

Adriana, que deve deixar o Presídio Feminino do Gama ainda hoje, será obrigada a fornecer à polícia um número de telefone fixo, onde possa ser localizada a qualquer momento, em “horário de expediente”. Caso seja preciso depor na delegacia, poderá usar carro particular.

Ela foi detida no último dia 16. Três dias depois, o desembargador Romão Cícero negou, liminarmente, o pedido de Habeas Corpus para Adriana. Relator do processo, Cícero foi seguido em seu novo voto pela juíza Leila Arlanch, da 4ª Vara da Família.

O voto vencido foi o do presidente da Turma, desembargador George Lopes Leite, que considerou que o habeas corpus deveria ter sido concedido integralmente. A decisão foi considerada “atípica” pelos advogados de Adriana.

“É uma decisão atípica, mas, nas circunstâncias atuais, é melhor do que a humilhação de ficar em um presídio”, assinalou o advogado Rodrigo de Alencastro. “Ela não foi indiciada, não tem qualquer envolvimento formal (com o caso). Agora vamos tratar dos termos de uma defesa”.

Um ano sem solução

Em 28 de agosto do ano passado, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73, sua mulher, Maria Carvalho Villela, 69, e a empregada do casal, Francisca Nascimento Silva, 58, foram mortos com 73 facadas no apartamento da família, em Brasília.

Em entrevista coletiva, a delegada da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), Mabel Faria, responsável pelo caso, afirmou que Adriana seria mentora do crime e disse que ela pode ter participado da execução dos pais. A motivação, segundo a polícia, seria financeira – o patrimônio do casal é estimado em mais de R$ 10 milhões.

O desembargador Romão Cícero apontou falhas na investigação, que tem sido marcada por revezes. Para ele, uma carta trocada entre Adriana e sua mãe, que revelaria desavença entre as duas, seria a peça mais “contundente” encontrada pela polícia. “Os outros são indícios menores”, disse.

O caso será analisado, a partir das 18h30 pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Distrito Federal (OAB-DF). Os conselheiros da entidade se debruçarão sobre documento entregue pela defesa de Adriana, que aponta falhas e contradições na investigação policial.

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