Justiça aceita integralmente denúncia do acidente do Metrô em São Paulo

SÃO PAULO - A juíza Margot Chrysostomo Correa Begossi aceitou integralmente, nesta terça-feira, a denúncia do promotor Arnaldo Hossepian Filho, que responsabiliza 13 pessoas pela tragédia do Metrô de São Paulo. Agora, os 13 funcionários do Metrô e do Consórcio Via Amarela são considerados réus no processo que investiga as causas do desabamento nas obras da futura Estação Pinheiros, na Linha-4, em janeiro de 2007. Sete pessoas morreram no desmoronamento.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

De acordo com Hossepian, agora, os réus têm dez dias para apresentar uma defesa prévia, antes do interrogatório. Eles respondem pela denúncia de negligência e imprudência em relação às obras realizadas na linha amarela e podem ser condenados a até seis anos de detenção. A senteça final deve sair em até dois anos, já que um dos réus tem mais de 70 anos.

Em sua denúncia, o promotor analisou o inquérito, os laudos e ouviu 66 testemunhas. Ele concluiu que faltou fiscalização ao Metrô e maior cautela na execução por parte do Consórcio Via Amarela. "Ao término da investigação, fiquei convencido de que o que levou à catástrofe foi o excesso de confiança, que fez com que algumas cautelas não fossem tomadas", disse, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira.

Foram acusados formalmente Fábio Andreani Gandolfo, José Maria Gomes de Aragão, Alexandre Cunha Martins, Takashi Harada, Murillo Dondici Ruiz, Alberto Mota, Osvaldo Souza Sampaio, Luis Rogério Martinati, Marco Antônio Buoncompagno, José Roberto Leite Ribeiro, Cyro Guimarães Mourão Filho, Jelson Antônio Sayeg de Siqueira e German Freiberg.

A denúncia também incluía um pedido para ouvir outras duas pessoas. Ainda não há prazo, mas devem ser ouvidos o Celso Fonseca Rodrigues, então funcionário do consórcio Via Amarela, e Rogério Castilho, ex-funcionário da Companhia de Transportes Metropolitanos. Hossepian não descarta a possibilidade de fazer mais denúncias à Justiça.

O promotor informou que não conseguiu apurar se a equipe do Consório e do Metrô sofriam algum tipo de pressão. Mas reforçou que a aceleração da obra era uma possibilidade, já que os funcionários têm autonomia para isto.

No dia 12 de janeiro de 2007, parte do terreno utilizado para as obras da Estação Pinheiros cedeu, abrindo uma cratera de 80 metros de diâmetro por 30 metros de profundidade, que engoliu quatro caminhões, dois carros e uma van. Sete pessoas foram soterradas e 79 famílias que moravam próximo ao canteiro foram retiradas da região por precaução.

Em junho do ano passado, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu laudo sobre o acidente. Para os técnicos, o colapso do canteiro de obras foi provocado por uma sucessão de falhas de engenharia. O Consórcio Via Amarela divulgou, no mês seguinte, um laudo alternativo rebatendo as conclusões do IPT. As empreiteiras sustentam que o desmoronamento era "imprevisível".

O outro lado

A Consórcio Via Amarela informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "vê com serenidade a denúncia do Ministério Público e entende que a Justiça é o foro imparcial e adequado para julgar o caso após a apresentação de provas documentais, materiais e testemunhais que serão feitas oportunamente".

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