Justiça abre processo contra oito envolvidos em fraude nos Correios

BRASÍLIA - A Justiça Federal aceitou na segunda-feira (9) denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) de Sorocaba e abriu processo contra oito envolvidos na Operação Déjà Vu da Polícia Federal (PF) por um esquema fraudulento que consistia na compra e transferência de agências franqueadas dos Correios, mediante extorsão. A operação foi deflagrada pela PF em outubro de 2008.

Redação |

Segundo o MP, sete dos oito envolvidos formavam uma quadrilha. Os empresários Alex Karpinscki e Antonio Luiz Vieira Loyola, dono de duas agências franqueadas dos Correios (ACFs), eram os responsáveis por extorquir os proprietários das ACFs.

De acordo com as investigações, a quadrilha contava ainda com o apoio ocasional do advogado Marcelo Coluccini de Souza Camargo. Segundo a denúncia do MPF, Souza aceitou e assinou documentos ideologicamente falsos para ser sócio de Damiano João Giacomin, braço direito de Loyola.

Para dar continuidade às investigações, a Justiça de Sorocaba determinou o envio de cópias de todos os autos para a Justiça Federal em Brasília para que seja apurada a migração ilegal de postagens de grandes agências dos Correios para agências franqueadas em detrimento da empresa pública, fraude que levou à demissão do diretor comercial dos Correios, Samir Hatem.

As investigações da Déjà Vu apontam que ele e pelo menos mais 11 pessoas podem estar envolvidos com estes e outros crimes, como diversas violações de sigilo funcionais. Parte dos autos do caso também serão enviado para São Paulo. A Justiça de Sorocaba afirmou querer investigar o envolvimento do ex-diretor regional dos Correios, Marcos Antonio Vieira da Silva, já investigado na Operação Selo II e que indica o envolvimento dele em outras irregularidades em São Paulo.

O crime

As investigações indicam que Karpinscki e Loyola diziam aos donos das agências que tinham conhecimento de procedimentos administrativos instaurados para apurar irregularidades nas agências deles e que o pedido de descredenciamento da agência já estaria com o diretor da Empresa de Correios e Telégrafos - responsável por credenciar ou descredenciá-las.

Depois de apresentada a situação aos proprietários, Karpinscki e Loyola diziam que se a agência não fosse vendida por R$ 100 mil, valor considerado abaixo do mercado, a agência seria descredenciada e as vítimas perderiam tudo.

Karpinscki recebia as informações privilegiadas dos procedimentos dos Correios por Loyola, que as conseguia por meio do diretor regional dos Correios em Bauru, Vitor Aparecido Caivano Joppert, do coordenador regional de negócios dos Correios em Bauru, Márcio Caldeira Junqueira, e do gerente da região operacional de Correios de Sorocaba, Sebastião Sérgio de Souza, que recebiam propina pelas informações.

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