Jussara Silveira brilha com Nestrovski e Mehmari em show da Virada no CCSP

SÃO PAULO ¿ Distante dos principais palcos da Virada Cultural, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) abrigou no final da manhã deste domingo (03) uma atração que, se não era apropriada para o barulho do centro da cidade, poderia tranquilamente estrear no palco do Teatro Municipal. Com lotação esgotada, como de praxe nos shows da Virada com ingressos, a cantora Jussara Silveira, o pianista André Mehmari e o violonista Arthur Nestrovski apresentaram o projeto ¿Viagem de Verão¿, que mescla clássicos da música brasileira com composições eruditas de 200 anos.

Marco Tomazzoni |

Marco Tomazzoni

Jussara Silveira e André Mehmari

O público tomou rapidamente os mais de 300 lugares da Sala Jardel Filho e se distribuiu até pelos degraus no fundo e laterais do teatro. Atentos, os espectadores pareciam saborear cada nota que saía da afinadíssima Jussara. Intérprete do primeiro time de sua geração, ao lado de Ná Ozzetti e Vânia Bastos, a cantora dosa dramaticidade e talento na medida certa, fórmula tão bem-sucedida que lhe rendeu fama internacional.

No repertório do trio, pérolas de Dorival Caymmi (Morena do Mar), Caetano Veloso (Nu Com Minha Música) e Lupicínio Rodrigues (Um Favor), mas o que dá o tom do espetáculo são as versões de Nestrovski para peças de Schubert (1797-1828) e Schumann (1810-56). Segundo o violonista, há muito mais semelhanças do que se pensa entre as músicas brasileiras e as dos compositores alemães do início do século 19, época em que se começava a criar o formato de canção, mistura de poesia com melodia e harmonia.

Marco Tomazzoni

Arthur Nestrovski no CCSP

O resultado é de uma beleza estonteante. Se as letras de Nestrovski não chegam a ser geniais, pendendo para o lirismo, a interpretação de Jussara, aliada ao violão e o piano, garantem momentos de tirar o fôlego. Schubert inspirou a delicada Estrela DAlva, que ainda cita Pastorinhas, de Noel Rosa, e a maravilhosa Serenata, na qual Mehmari mostra sua habilidade também nas teclas da sanfona. O instrumento também brilha em Pra que Chorar, versão de Schumann alinhada com Carinhoso, de Pixinguinha.

Antes de deixar o palco, o trio ainda teve tempo de lembrar Beethoven na famosa reconstrução de José Miguel Wisnik para a 5ª Sinfonia, Baião de Quatro Toques. No bis, apareceram Ela e Eu (Marina Lima) e, a pedidos, entremeada pelo barulho do metrô que passava ao lado, uma nova interpretação de Serenata. A insistência valeu a pena e fechou com chave de ouro a apresentação.

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