Júri popular condena Farah por homicídio e ocultação

Ao fim do terceiro dia de julgamento, o júri composto por cinco mulheres e dois homens considerou culpado o médico Farah Jorge Farah, acusado de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver pelo assassinato de ex-paciente e namorada, Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003. O veredicto foi proferido por unanimidade, e o juiz Rogério de Toledo Pierri, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, que preside o julgamento, anunciou, minutos depois, a sentença de 12 anos de prisão por assassinato e mais um ano por ocultação de cadáver.

Agência Estado |

O juiz do 2º Tribunal do Júri da capital, Rogério de Toledo Pierri, decidiu que o médico poderia ficar em liberdade para recorrer da sentença. Vou pedir o aumento da pena e a prisão dele, disse Pereira, apesar de estar satisfeito com a condenação. Não se pode confundir a comoção, o choque que é você ver as fotos do corpo esquartejado com uma reprimenda que não fosse ajustada, avaliou Pierri. Além de a lei permitir claramente que se recorra em liberdade de uma condenação criminal, pesou a favor do médico uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o livrou da cadeia por entender que, em liberdade, ele não oferecia riscos para o andamento da ação penal, segundo informações do jornal "O Estado de S. Paulo".

Após o julgamento, concluído ontem às 21h30, Aline Aparecida Alves dos Santos, sobrinha da vítima, pediu, emocionada, para abraçar o promotor. Deus te abençoe, emendou Alice Paulice Silva, mãe de Maria do Carmo. Alice disse estar aliviada com a decisão, mas que o médico ainda tem de prestar contas a Deus, e que, se Farah tivesse falado com ela, ela teria impedido a filha de persegui-lo. O médico foi embora sem falar com a imprensa, ainda segundo o jornal.

O advogado do médico, Roberto Podval, tentou fazer prevalecer a tese de que o crime foi cometido em legítima defesa "Farah foi motivado pelas perseguições feitas por Maria do Carmo", sustentou o advogado. No entanto, segundo a Promotoria, a vítima estava sedada no momento do assassinato e, portanto, não cabia alegar legítima defesa. Ao deporem ontem, outras ex-pacientes do médico relataram terem sido vitimas de abuso sexual.

Para o promotor Alexandre Pereira, os depoimentos das ex-pacientes foram chocantes e mostraram que "jamais poderia se imaginar que, por trás daquela fachada de homem aparentemente bom, honesto e trabalhador, se escondia um pervertido que se aproveitava de sua condição de médico para abusar de suas pacientes".



Testemunhas

A primeira testemunha disse estar em tratamento psiquiátrico desde o contato com Farah. A segunda não conseguiu depor na presença do ex-cirurgião. Ela chorava muito e o juiz pediu que ele fosse retirado do local. As duas negaram terem mantido relacionamentos amorosos com ele.

A recepcionista do antigo consultório de Farah também foi ouvida. Ela disse que ele era normal e a tratava bem.

Chegando ao Fórum de Santana, no primeiro dia de julgamento, o ex-cirurgião foi cercado por jornalistas, tropeçou e caiu, pelas pernas pouco firmes decorrentes de problemas de saúde.

Ainda no primeiro dia dos trabalhos, um erro do cartório quase fez com que o julgamento fosse adiado pela terceira vez. O cartório esqueceu de convocar uma testemunha de defesa para depor, mas um promotor se dispôs a buscar a testemunha em Santo André.

A primeira testemunha a depor foi o próprio Farah. Segundo ele, houve uma luta. O cirurgião resumiu sua versão dos fatos dizendo que matou por legítima defesa. O ex-médico alega que Maria o procurou com uma faca e, após desarmá-la, não se lembra de nada.

A mãe de Maria do Carmo, Alice Paulice Silva, e o pai dela, Amaro Silva, vieram com a família assistir ao julgamento. Espero por justiça, quero que ele fique preso por muito tempo. Só eu sei o que sofri por ela. Alice fez questão de dizer que Maria e Farah nunca foram amantes e se revoltou com essa sugestão da defesa.

Minha filha era evangélica, odiava adultério. Ela era casada e não precisava desse velho, afirmou a mãe, que disse considerar o marido de sua filha, o porteiro João Augusto de Lima, como seu filho.

Indagada se já havia encontrado o réu alguma vez, Alice disse que não. Se pudesse não olharia para ele, para aquelas mãos assassinas que tiraram a vida da minha filha.

Leia também:

Leia mais sobre: Farah Jorge Farah

    Leia tudo sobre: farah

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG