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Júri, crítica e público dão Leão de Ouro para The Wrestler

Antonio Lafuente. Veneza (Itália), 6 set (EFE).- The Wrestler, o último trabalho do diretor nova-iorquino Darren Aronofsky, com Mickey Rourke no papel principal, recebeu hoje o Leão de Ouro de melhor filme na 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, uma decisão que refletiu as opiniões do júri, da crítica e do público.

EFE |

Com efeito, tal coincidência não costuma ser habitual quando há 21 filmes em competição e os critérios são tão díspares quanto seu público.

Nas palavras do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que passou por esta mostra, "o filme é o mesmo para todos", mas cada um o vê de uma forma diferente.

"The Wrestler" mostra Randy Robinson, um lutador no final da carreira profissional, que começa a lutar em ringues de terceira categoria e a apresentar problemas de saúde devido aos anos em que praticou o esporte.

Ao receber o prêmio das mãos do cineasta Win Wenders, Arofnosky agradeceu ao júri por ter selecionado este filme, que ele acredita que será muito mais assistido após o Leão de Ouro de Veneza.

E talvez no ânimo do júri estivesse precisamente essa necessidade, a de que o público vá ao cinema, já que o número de espectadores está caindo continuamente.

É claro que Wenders e o resto do júri não podiam se dar o luxo de premiar alguns dos filmes que passaram no festival e que só agradaram a poucos críticos.

Após saber que era o ganhador, Aronofsky agradeceu o prêmio e o dedicou a todos os lutadores, que "amassam o corpo e a alma O filme mostra como a saúde de Robinson começa a sofrer conseqüências dos anos de brigas.

A partir disso, Randy começa o exame de consciência de sua vida, para tentar curar as feridas de uma filha abandonada, interpretada por Evan Rachel Woods, e a sobreviver a uma solidão na pobreza com o amor por uma stripper, Marisa Tomei.

Para o bem do filme e da interpretação, serviu a vida de Rourke, atípico ator que se dedicou durante anos ao boxe profissional após seu grande lançamento cinematográfico em "9 1/2 semanas de Amor" (1986) com Kim Bassinger.

Rourke reconheceu em coletiva de imprensa, na qual seu filme foi apresentado ontem, que "infelizmente" tinha "muitos paralelismos" com o personagem, porque "há 15 anos atirou" sua carreira "no lixo".

No entanto, disse que o problema que o protagonista enfrenta é o que "qualquer atleta" tem quando chega o momento de encerrar sua carreira.

De fato, sobre a interpretação de Rourke, Wenders destacou que "atingia o coração", uma forma de dizer que lhe teria dado a Copa Volpi de melhor ator, se não a tivessem concedido ao italiano Silvio Orlando, por seu papel em "Il Papà di Giovanna".

Definitivamente, a saída menos desonrosa para o júri foi dar um prêmio a um filme italiano, em um festival em que concorreram quatro filmes de produção nacional.

O júri deu seu prêmio particular, ou seja, um que não compartilha com o público e apenas com uma parte da crítica, ao conceder o Leão de Prata de melhor direção ao russo Aleksei German Jr por "Bumaznyj Soldat" ("Paper Soldier").

O filme conta a vida do médico Daniel Pokrovsky, encarregado de designar os astronautas que viajarão no primeiro vôo tripulado ao espaço, uma decisão que se torna insuportável porque ele está convencido de que essas pessoas não retornarão.

Segundo explicou German, o filme pretendia falar das "forças vitais da morte, da vida e do amor", mas na realidade o que melhor descreve é o tédio na União Soviética.

O Prêmio Especial do Júri foi para "Teza", um filme que agradou à crítica e ao público, e no qual o etíope Haile Gerima se rebela contra a ignorância, mãe de todos os males do mundo, em geral, e da África, em particular.

A premiação da competição terminou com a Copa Volpi de melhor atriz para Dominique Blanc por sua interpretação em "L'autre" de Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic, um complicado filme no qual interpreta uma mulher com dupla personalidade.

"The Burning Plain" de Guillermo Arriaga e "Gake no Ue no Ponyo" ("Ponyo on the Cliff by the Sea"), de Hayao Miyazaki, ficaram de fora dos prêmios mais importantes. EFE alg/ab/rr

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