Jungmann diz que cobrará Exército sobre documento

O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara, Raul Jungmann (PPS-PE), afirmou hoje que cobrará explicações do Exército sobre o documento confidencial da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, do Rio, revelado hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo .

Agência Estado |

A circular mostra que a ação no Morro da Providência, onde três jovens foram mortos após terem sido entregues por militares a traficantes do Morro da Mineira, estaria à margem da legalidade, pois trata a atuação dos militares no Projeto Cimento Social como Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Isto só poderia ocorrer mediante decreto presidencial, em caso de estado de sítio e de defesa ou intervenção federal num Estado. "Não quero prejulgar. Em tese, Exército não tem poder de polícia, nem deve fazê-lo", afirmou Jungmann, que deve convocar nos próximos dias uma audiência pública para ouvir autoridades envolvidas no caso, como o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes da Força. O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara atribuiu a irregularidade à falta de regulamentação da regra referente à garantia de lei e da ordem pelas Forças Armadas. "Sem esta baliza legal, você tem a utilização pontual e, muitas vezes, política das Forças Armadas", declarou. Jungmann anunciou que uma subcomissão trabalhará na elaboração de um projeto de lei para regularizar a atuação das Forças Armadas na segurança pública.

Apesar das afirmações, ele evitou atacar, diretamente, o uso político do Exército que atua no projeto do pré-candidato a prefeito da capital fluminense Marcelo Crivella (PRB). "Não quero fazer prejulgamentos, pois tenho de esperar a elaboração do relatório. Minha posição é jamais politizar a ação do Exército. Isto tem a ver com a democracia. Quando se derrotou a ditadura, foi para, exatamente, ter o controle das Forças Armadas, democraticamente", declarou.

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