Jungmann desiste de candidatura a prefeito de Recife-PE

O deputado federal Raul Jungmann (PPS) não é mais candidato a prefeito do Recife pela coligação PPS-PV. Não temos dinheiro, justificou ele hoje, em entrevista coletiva na sede do partido.

Agência Estado |

Até a quarta-feira, os dois partidos, que se mantêm juntos, irão decidir qual candidato irão apoiar: o ex-governador Mendonça Filho (DEM), o deputado federal Carlos Eduardo Cadoca (PSC) ou o deputado federal Raul Henry (PMDB/PSDB). Os três fazem oposição ao deputado estadual do PT, João da Costa, candidato do prefeito João Paulo (PT), do governador Eduardo Campos (PSB) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa aliança com 15 partidos.

"Há um jogo pesado que não queremos jogar", afirmou o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Fernando Henrique Cardoso, ao explicar sua desistência. "Na medida em que as eleições se midiatizaram no País, tornaram-se, em parte, um grande negócio", afirmou. Segundo Jungmann, para disputar eleições ou tem que ser "nascido em berço de ouro" ou então se pode descambar para o suposto jogo dos compromissos, que ele chama de "venda do mercado futuro da coisa pública", que pode ser assim expresso: "Você me dá dinheiro hoje e amanhã eu te dou em troca alguma coisa".

"Reconhecemos que não temos jogo de cintura nem interesse de jogar esse jogo", afirmou ele em nome da sua aliança, ao estimar que somente para um item de campanha - no rádio e na televisão - um candidato a prefeito precisa de R$ 500 mil a R$ 600 mil. Ele reforçou sua defesa quanto a campanhas patrocinadas por recursos públicos, o que daria maior igualdade de condições aos candidatos.

Ele ainda disse que as duas legendas - PPS e PV - se propuseram a chegar ao poder, no Recife, por meio de um "arranjo inovador e contemporâneo", unindo as bandeiras do meio ambiente e da igualdade social, com idéias, propostas, tempo na televisão (três minutos) e uma chapa grande de candidato a vereadores - perto de cem.

Apoio

Indagado se apoiar um candidato que "está no jogo" não corromperia a aliança, ele disse estar falando em tese. "Não indico A, B ou C", afirmou. Jungmann destacou também que a coligação (PPS-PV) não poderia se auto-excluir do jogo eleitoral, até pela responsabilidade com os candidatos a vereador. O apoio a um outro candidato vai passar, segundo ele, por "negociação política".

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