Julgamento dos padres acusados de pedofilia é retomado em Arapiraca

Eles são acusados de terem abusado sexualmente de Cícero Flávio, Fabiano e Anderson, quando os rapazes eram coroinhas em suas paróquias

Mariana Lima, enviada especial a Arapiraca |

Mariana Lima
Padres Luis Marques, Edílson e Raimundo participam de audiência nesta sexta-feira
O julgamento dos padres Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes e Edílson Duarte, acusados de abuso e exploração sexual de menores, foi retomado nesta sexta-feira, às 9h15, no Juizado da Infância de Arapiraca. Eles são acusados de terem abusado sexualmente de Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Ferreira da Silva e Anderson Farias da Silva durante vários anos, enquanto os rapazes eram coroinhas em suas paróquias.

A primeira audiência foi realizada no dia 8 de julho , mas suspensa devido à falta de uma testemunha de acusação considerada vital – o então motorista de Luiz Marques, chamado Joau Ferreira. Hoje caminhoneiro, Joau estava fora de Arapiraca, mas o juiz do caso, João de Azevedo Lessa, confirmou a presença da testemunha para esta sexta.

Ao chegar para a segunda audiência do caso, Joau confirmou ter trabalhado para o monsenhor Luiz Marques durante dois anos. "Nunca vi nada anormal durante o trabalho", disse. Porém, o caminhoneiro não escondeu a surpresa que sentiu ao ver o vídeo onde o padre é visto mantendo relações sexuais com Fabiano. "Contra fatos não há provas", concluiu Joau.

“A testemunha arrolada pelo Ministério Público já está na cidade, e outras duas, que foram citadas durante os depoimentos das vítimas também foram chamadas, para prestar mais esclarecimentos ao caso. Temos vinte testemunhas da defesa e o depoimento dos três padres, tudo a ser realizado hoje”, disse o juiz. Ele explicou que algumas testemunhas podem ser dispensadas pela defesa no andar da audiência, caso seus depoimentos não tragam nada de novo ao caso.

A reportagem conseguiu confirmar que serão ouvidos mais duas testemunhas - um homem e uma mulher. O primeiro seria um rapaz que frequentava a paróquia do padre Raimundo Gomes e viu Anderson sendo tocado por ele. A outra testemunha é a delegada responsável pelas investigações contra os padres, Bárbara Arraes. "Os atores são outros e minha fase já passou", contou ao iG .

O juiz também lembrou que, devido à complexidade do caso, os advogados podem pedir para fazer suas alegações finais por escrito, o que lhes daria mais cinco dias para entregar os memoriais e, a partir daí, mais dez dias para que o juiz dê seu veredicto.

Leia também: Além de processo judicial, padres enfrentam processo eclesiástico

Mais uma vez, a audiência de instrução do processo criminal, que deveria ser pública, será realizada no gabinete do juiz, a portas fechadas. A medida é uma resposta ao sensacionalismo da audiência pública da CPI da Pedofilia realizada em Arapiraca em 2010, logo depois da denúncia dos rapazes, e presidida pelo senador Magno Malta (PR-ES).

Também, como na audiência anterior, o juiz solicitou reforço no policiamento na frente do Juizado e uma equipe da SAMU com ambulância, mesmo não tendo sido necessário anteriormente, já que a população não foi até o prédio acompanhar o julgamento. Como é costume da cidade, acompanharam pelo rádio. As únicas pessoas presentes eram ligadas às antigas paróquias dos padres que foram mostrar apoio.

Mariana Lima
Luiz, Edilson e Raimundo no Juizado em Arapiraca durante primeira audiência, no dia 8 de julho

Dinheiro ou denúncia

Boa parte das pessoas que defendem os padres acusa os ex-coroinhas de querer apenas lucrar com a história. Mais especificamente, Cícero Flávio e Fabiano Ferreira, que teriam procurado pessoas ligadas ao monsenhor Luiz Marques para pedir dinheiro em troca da não divulgação do vídeo.

Procurado pelo iG , Fabiano nega veementemente as acusações. “Já foi investigado, teve inquérito e foi arquivado. Não passava de uma mentira dos advogados do padre. A pessoa passa por tanta coisa, toma coragem pra denunciar e ainda leva o nome de bandido. É humilhante!”.

Ele atribuiu esse “boato” ao preconceito da cidade. “Aqui em Arapiraca é assim mesmo, as pessoas acham aqueles padres uns santos”.

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