Julgamento dos acusados de assassinar Dorothy Stang é retomado no Pará

PARÁ - O julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, conhecido como Bida, e de Rayfran das Neves Sales, acusados pela morte da missionária Dorothy Stang, foi reiniciado às 8h15 desta terça-feira, no fórum criminal de Belém, no Pará. O julgamento dos dois teve início na manhã de segunda-feira e durou cerca de 10 horas, sendo interrompido por volta das 19h30.

Redação com Agência Estado |

  • Fazendeiro acusado de mandar matar missionária nega crime

De acordo com o Tribunal de Justiça, estão previstos para hoje os debates da acusação e da defesa. Cada parte terá três horas para convencer o Conselho de Sentença, formado por sete jurados e uma jurada. Esse tempo poderá ser prorrogado por mais uma hora de réplica pela acusação, com tempo igual para a tréplica da defesa.

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Vitalmiro Moura e Rayfran Sales no Tribunal do Juri

Conforme o TJ, o promotor de justiça Edson Souza sustenta a acusação contra Moura de ter mandado contratar pistoleiros para matar a missionária. Segundo ele, "o plano foi intermediado por Amair Feijoli Cunha (Tato), que contratou Rayfran Sales e Clodoaldo Carlos Batista para matar Dorothy, com a promessa de recompensa no valor de R$50 mil".

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Irmão de Dorothy acompanha o julgamento
As diversas versões apresentadas pelos acusados são citadas na manifestação do promotor de justiça, que afirma que os acusados praticaram homicídio qualificado, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e mediante a promessa de recompensa.

O juiz presidente do processo é Raimundo Moisés Alves Flexa e a expectativa da Justiça é que o julgamento acabe nesta terça-feira com a confirmação da condenação dos acusados.

A missionária Dorothy Stang era defensora dos direitos humanos e trabalhava em área de conflitos fundiários. Ela foi assassinada em 12 fevereiro de 2005, aos 73 anos, no município de Anapú, no sudeste do Pará.

Condenações

Como Moura e Sales foram condenados a mais de 20 anos de prisão

AP
Dorothy Stang em foto de arquivo
cada um, 30 e 27 anos respectivamente, eles tiveram direito a novos julgamentos. O fazendeiro foi condenado em 14 de maio de 2007. Sales foi condenado em dezembro de 2005, recorreu e em 22 de outubro de 2007 o júri confirmou a condenação. A defesa dele recorreu novamente, alegou problemas técnicos e o segundo julgamento foi anulado.

Amair Feijoli da Cunha, acusado de intermediar o crime, recebeu pena de 27 anos de prisão, reduzida para 18 anos por causa da delação premiada.

Clodoaldo Carlos Batista, que presenciou o crime e nada fez para impedi-lo, foi sentenciado a 17 anos de reclusão.

Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ter planejado e mandado matar a missionária, também deve ir a júri. Ele está recorrendo em instância superior. Moura, Sales e Cunha estão presos.

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