Juízes vão orientar eleitor do Rio sobre segurança do voto

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os juízes e servidores das sessões eleitorais do Rio de Janeiro vão frisar aos eleitores que o voto é inviolável e indevassável, disse o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, nesta terça-feira. A medida é mais uma tentativa de evitar a pressão de traficantes e milicianos sobre moradores de comunidades carentes do Rio para que votem em candidatos indicados pelos grupo paramilitares.

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Segundo o presidente do TSE, o eleitor não pode ser coagido no seu dever de votar.

'O eleitor pode ficar seguro. A urna eletrônica é segura e não possibilita saber quem foi que votou em quem', garantiu Ayres Britto.

Além de pressionar os moradores de comunidade carentes para votar em 'seus' candidatos, as milícias e o tráfico de drogas estariam obrigando os eleitores a levar para a cabine de votação celulares com câmera digital para fotografar o voto.

'Os juízes eleitorais, junto com os envolvidos no processo eleitoral, vão ter a preocupação de dizer ao eleitor: 'fique tranquilo que seu voto é indevassável. Ninguém vai saber em quem você votou'', disse Britto após o lançamento do Dia Nacional de Audiências Públicas, em Brasília, que faz parte da campanha 'eleições limpas'.

'ELEIÇÕES PERIGOSAS'

O presidente do TSE afirmou que as tropas federais devem atuar em mais de vinte regiões do Rio de Janeiro para garantir os direitos de candidatos, eleitores e da imprensa na eleição municipal. As áreas mapeadas pelo TRE do Rio serão avaliadas pelo Ministério da Defesa essa semana.

'O mapeamento já foi feito, os juízes eleitorais foram designados e as zonas eleitorais foram indicadas. Mais de vinte comunidades serão protegidas', afirmou Britto. 'A operacionalização das tropas no processo eleitoral está saindo do papel e indo para as ruas', acrescentou

Candidatos a prefeito e vereador no Rio reclamaram do veto de traficantes e milicianos às suas campanhas em algumas regiões do Rio.

'Isso nunca aconteceu. É a eleição mais perigosa que já vi', disse à Reuters o candidato a vereador, Paulo Pinheiro (PPS).

Ex-deputado estadual, Pinheiro revela que é 'proibido' de entrar em alguns dos seus redutos eleitorais na cidade. 'Em outras eleições tinha muito voto na Rocinha, mas lá não dá mais para entrar. Meu pessoal na Rocinha diz: não vem aqui não que é perigoso', contou o candidato.

O ex-parlamentar acrescentou que traficantes e milicianos estariam usando novas táticas para intimidar candidatos e eleitores. 'Toda semana tenho que trocar os cartazes e placas com minha foto e meu número. Eles estão dando tiros e destruindo o material de campanha', afirmou Pinheiro.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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