Juíza nega fornecimento de água e luz à reitoria da UnB

Os 300 estudantes que ocupam a Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) desde o dia 3 continuarão no escuro e sem água. A juíza da 17ª Vara Federal do Distrito Federal, Cristiane Rentzsch, decidiu hoje negar a medida cautelar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Estado que pedia o imediato restabelecimento de fornecimento de energia elétrica e água no prédio.

Agência Estado |

A interrupção foi uma forma de a universidade pressionar os alunos a deixarem a Reitoria. Na cautelar, a OAB argumentava que o corte viola a dignidade dos manifestantes. Em sua decisão, no entanto, Cristiane confrontou o argumento. "Não há que se falar em violação aos direitos humanos, já que a situação alegada como afrontadora da dignidade humana, geradora de fome e sede, está sendo provocada pelos próprios estudantes."

A juíza reforçou ainda que os estudantes estão descumprindo decisão judicial de reintegração de posse, obtida pela UnB para garantir a desocupação do prédio. "Considerando que o imóvel não está sendo utilizado para as finalidades para o qual foi destinado, há que se reconhecer legítimo e legal que a FUB (Fundação Universidade de Brasília) suspenda o fornecimento de água e luz ao local." Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF, Jomar Alves Moreno, a decisão mostra falta de sensibilidade. "Pretendíamos que a cautelar pudesse reabrir as negociação para buscar uma saída ao impasse entre estudantes e universidade", disse. "Infelizmente, a Justiça não se sensibilizou com a situação dos estudantes e a decisão ficou presa ao termo seco da lei."

Os advogados da OAB se reunirão amanhã para decidir como darão seguimento ao pedido. Eles cogitam recorrer da decisão ou entrar com nova ação na Justiça. "Nossa preocupação é abrir canais de negociação", afirmou Moreno. "Tememos que esse impasse leve a uma tragédia, com a desocupação violenta do prédio." Para desocupar o edifício, os manifestantes exigem o cumprimento de 18 reivindicações discriminadas em documento entregue ao Conselho Superior da UnB. "Não vamos negociar com a universidade enquanto não for religada a luz", afirmou o coordenador de Organização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, Eduardo Zanata, aluno de Letras. "Eles estão nos submetendo a uma situação de insalubridade."

A principal reivindicação dos universitários é a saída definitiva do reitor Timothy Mulholland, acusado de irregularidades no uso de verbas da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). Hoje, Mulholland pediu afastamento por 60 dias do cargo e foi substituído pelo vice, Edgar Mamiya. A atitude, no entanto, não satisfez os estudantes. "Só vamos cogitar a desocupação quando o reitor sair definitivamente", disse Zanata.

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