Juíza dá liberdade provisória a Cabrini

SÃO PAULO - A juíza Maria Fernanda Belli, do Departamento de Inquéritos Policiais e Policia Judiciária (Dipo) de São Paulo, decidiu hoje pelo relaxamento da prisão em flagrante do jornalista Roberto Cabrini, da Rede Record de Televisão, concedendo-lhe liberdade provisória. Os advogados de Cabrini alegaram que a prisão foi ilegal e desnecessária porque ele tem residência fixa e profissão lícita.

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Jornalista Roberto Cabrini deixa a prisão

Cabrini, de 47 anos, foi preso na segunda-feira por policiais civis, na região do Jardim Herculano, na zona sul da capital paulista. O jornalista estava num Citroën C-5, na companhia de uma mulher identificada como Nadir Dias, que disse ser namorada dele. Segundo a polícia, teriam sido encontrados com Cabrini 15 papelotes de cocaína. O jornalista considerou o fato uma "armação" e disse que, no momento em que foi preso, fazia uma reportagem investigativa sobre tráfico de drogas.

"Vítima de armação"

Um dia após a sua detenção, Cabrini enviou uma carta à imprensa na qual alega estar sendo "vítima de uma armação, em virtude de estar investigando assuntos que incomodam a muitas pessoas".


Divulgação
Cabrini explica que a investigação está relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), caso em que diz atuar há dois anos.

"Jamais parei de investigar (o caso do PCC) e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho", afirma na carta.

O jornalista conta que uma fonte lhe procurou para entregar fitas relacionadas ao caso. "Neste material, o líder confirma a autenticidade da entrevista e fala sobre os fatos que envolveram os ataques de 2006."

Ainda segundo Cabrini, ele já havia assistido a 40 segundos da gravação e fontes do PCC disseram que "esclarecimentos sobre o que aconteceu durante os ataques só poderiam ser feitos quando sua revelação não representasse riscos à integridade física de vários detentos".

Três DVDs seriam entregues ao jornalista na zona sul de São Paulo, ontem, em encontro marcado com uma fonte. "Ao invés de receber fitas, houve, sim, uma abordagem policial."

E conclui: "Apesar de tudo, comunico que sempre protegi e protegerei minhas fontes, afinal considero o respeito entre fonte e jornalista um dos princípios mais sagrados da minha profissão."

Comunicado da Record

A direção da rede Record comunicou à imprensa que "tinha o registro interno que o repórter estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo". Também disse que Cabrini é reconhecido pela sua cobertura de reportagens especiais e por sua trajetória profissional nas principais televisões brasileiras.

Por fim, a emissora afirmou que "acredita na Polícia e na Justiça do Estado de São Paulo e espera a correta elucidação dos fatos".

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