O juiz titular da 3ª Vara do Fórum de Presidente Venceslau (SP), Michel Feres, concedeu ontem liberdade provisória ao advogado Sérgio Wesley da Cunha, que estava preso desde o dia 19 de março deste ano. Ele é acusado de trabalhar para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Formação de quadrilha e suborno são dois dos crimes atribuídos ao advogado, que passou por vários presídios. O último não foi divulgado e fica num quartel da Polícia Militar (PM).

O juiz não quis comentar a sua decisão, alegando ser "antiético falar de um processo em andamento". Feres, no entanto, lamentou que advogados e policiais usem a profissão para prestar serviços ao crime organizado. "É bandido que se utiliza do cargo indevidamente. É uma profissão que não é para isso. Causa preocupação essa inversão de valores", afirmou.

Para o magistrado, quando o crime passa a seduzir as pessoas é sinal de que "alguma coisa está muito errada". "Faltam respeito às instituições e amor à Pátria", disse. A reportagem também tentou ouvir Cunha e seu advogado, mas eles não foram localizados.

CPI do Tráfico de Armas

O advogado é acusado de comprar por R$ 200 uma gravação de reunião secreta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas e repassá-la a supostos integrantes do PCC. O conteúdo das gravações teria motivado as ações de violência e rebeliões em presídios que abalaram São Paulo em 2006.

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