Juiz decreta prisão preventiva de PMs envolvidos na morte de João Roberto

RIO DE JANEIRO - O juiz Daniel Schiavoni Miller, do 2º Tribunal do Júri do Rio, recebeu nesta terça-feira a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Elias Gonçalves da Costa Neto e William de Paula. Os dois policiais militares são acusados de matar o menor João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, no dia 6 de julho, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Na decisão, o juiz decretou a prisão preventiva dos réus.

Redação |

Para o juiz, a materialidade do crime é atestada pelo laudo pericial, pelo boletim de atendimento médico, por declarações de testemunhas e pela mãe do menino, além das imagens de vídeo apreendido, cuja fita foi transformada em fotografias.

"Trato de crimes objetivamente graves - etiquetados como hediondos e inafiançáveis -, supostamente cometidos por policiais militares em serviço, justamente os agentes da lei, contra membros de uma família absolutamente inocente, sem envolvimento algum no delito que os denunciados suspeitavam ocorrer", afirmou em sua decisão.

O juiz enfatizou ainda a necessidade de prisão dos acusados durante o processo pela preocupação com o desenvolvimento das investigações. "Há receio concreto de que os acusados - valendo-se de sua condição e decorrente autoridade que infundem na coletividade - mediante o desfazimento de provas e, principalmente, o desencorajamento a colaborar com a Justiça por parte das testemunhas, as quais são pessoas comuns do povo, atemorizáveis, venham, com o fim de adulterar a verdade, a perturbar a colheita dos elementos de convicção", explicou o magistrado.

Daniel Miller lembrou ainda que os fatos foram objeto de ampla divulgação na mídia nacional e geraram intensa repercussão negativa no meio social. "São causadores de real abalo à paz e tranqüilidade junto à população desta cidade, agravando acentuadamente seu sentimento geral de insegurança", completou.

O interrogatório dos policiais está marcado para o próximo dia 6 de agosto, às 13h. No início da audiência, serão exibidas imagens do fato contidas em fita de vídeo constante no processo.

    Leia tudo sobre: violência contra crianças

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG