Juiz decreta prisão preventiva de envolvidos no caso Morro da Providência

RIO DE JANEIRO - O juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Granado, decretou nesta terça-feira à noite a prisão preventiva dos militares indiciados no inquérito sobre a morte de jovens do Morro da Providência, na zona Portuária do Rio.

Redação |

De acordo com a decisão, há indícios suficientes de autoria e participação dos indiciados nos três crimes dolosos de homicídio (ainda que na modalidade dolo eventual), sendo cada qual triplamente qualificado e punido com reclusão, o que satisfaz o requisito do art. 313, inciso I, do CPP.

O juiz esclarece ainda que, caso fossem postos em liberdade, os envolvidos poderiam interferir negativamente na produção das provas e que a liberdade dos acusados representaria, direta ou indiretamente, um perigo à própria credibilidade da Justiça, visto que os fatos são de extrema gravidade e tiveram repercussão negativa até mesmo no exterior.

Histórico

Na última quinta-feira, o Ministério Público Estadual encaminhou ao juiz Sidney Rosa, da 3ª Vara Criminal, o pedido de prisão preventiva dos 11 militares envolvidos com a morte dos três jovens no Morro da Providência, no Rio. Os acusados foram indiciados pelo delegado da 4ª DP (Praça da República), Ricardo Dominguez, por triplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e por ter dificultado a defesa das vítimas).

Na segunda-feira, o juiz do Sidney Rosa remeteu os autos do inquérito apresentado pelo Ministério Público Estadual para a Justiça Federal. Segundo ele, como os militares são servidores federais que cometeram crime no exercício de sua função, eles respondem a processo na Justiça Federal.

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.


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