Juiz alega propaganda eleitoral subliminar na Providência

RIO DE JANEIRO - A Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro comprovou as ligações eleitorais entre o projeto Cimento Social, de reforma de casas populares no Morro da Providência, no centro da cidade do Rio de Janeiro, e o pré-candidato à prefeitura do município Marcelo Crivella (PRB).

Redação com Agência Brasil |


Nesta terça-feira, as obras na comunidade foram embargadas por uma decisão do juiz Fábio Uchoa, da Coordenadoria de Fiscalização da Propaganda Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral. Na decisão, o magistrado alegou propaganda eleitoral subliminar, com base na distribuição de cartões contendo uma foto de Crivela sobreposta à imagem da obra no Morro da Providência.

Uma investigação do TRE comprovou também referências ao projeto na página do pré-candidato na internet. Os documentos que chegaram fizeram ver que o projeto do Marcelo Crivela é antigo e é utilizado em campanhas. Em 2004, ele como senador apresentou o Cimento Social em forma de projeto de lei ao Senado, mas a obra ainda não foi aprovada, disse o juiz Fábio Uchoa na decisão.

De acordo com o juiz, sem uma decisão do Congresso o convênio firmado entre os Ministérios das Cidades e da Defesa para realização das obras, em janeiro de 2008, é eleitoreiro. A data do convênio, em pleno ano eleitoral, viola a legislação eleitoral que garante a igualdade entre os candidatos, afirma o texto da decisão que embargou a obra.

A sentença de Fábio Uchoa também determina ao pré-candidato Marcelo Crivella a interrupção da distribuição dos cartões ligando seu nome à obra, e concedeu dois dias para que informe a quantidade de folhetos produzidos e a origem do material, sob pena de multa.

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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