Judiciário precisa de choque de gestão, diz Dipp, do CNJ

O corregedor Nacional de Justiça, Gilson Dipp, disse hoje que é necessário um choque de gestão e vontade política para resolver problemas de administração do Judiciário, que acabam levando à demora na tramitação dos processos. Segundo ele, os recursos são insuficientes e acabam administrados para regalias de desembargadores e servidores e para prédios desnecessários.

Agência Estado |

Dipp deu as declarações numa entrevista coletiva concedida hoje pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e outros integrantes do CNJ.

Dipp observou que há tribunais totalmente aparelhados enquanto que a primeira instância enfrenta dificuldades para funcionamento. "Falta ação das corregedorias de Justiça dos Estados. Há tribunais perfeitamente aparelhados e não funcionando enquanto que a primeira instância está abandonada", afirmou. "Os recursos são mal aplicados e mal distribuídos", disse.

Para o corregedor, é necessário eleger prioridades. Ele disse que não estava fazendo críticas, mas apenas constatações. Recentemente, Dipp fez inspeções em vários Estados. Ele afirmou que existem gabinetes de desembargadores com excesso de servidores enquanto que juízes de primeira instância não têm funcionários e material para o trabalho. "Isso faz com que o juiz, que também deveria ser mais pró-ativo, de certa forma se sinta mais descompromissado a ter uma atuação mais ágil em face das carências encontradas", disse, acrescentando que há corporativismo.

Dados do Judiciário

Na entrevista, Gilmar Mendes falou sobre as metas do CNJ para este ano e apresentou os números do Judiciário relativos ao ano de 2007, os mais recentes em poder do conselho. Conforme o levantamento, aquele ano havia uma média de seis juízes para cada 100 mil habitantes. Ao todo, eram 15.623 juízes em 2007. Quanto aos processos, havia naquele ano 67,7 milhões de ações em tramitação na Justiça brasileira. Os gastos somaram R$ 29,2 bilhões, não contabilizado o que foi consumido com os tribunais superiores.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG