Judeus que não fariam Enem comemoram cancelamento

Os 41 alunos do 3º ano do colégio judaico Iavne, em São Paulo, já haviam perdido as esperanças de fazerem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por causa de convicções religiosas. Para os judeus, o sábado é sagrado e eles são proibidos de escrever até o anoitecer.

Agência Estado |

Neste domingo, que pela tradição começa com o pôr do sol do dia anterior, será o Sukot, data em que eles seguem os mesmos rituais. A organização do Enem propôs aos judeus sabáticos (ortodoxos e adventistas) que ficassem nas salas até o pôr do sol para, então, começarem a prova.

Mas os alunos do Iavne não aceitaram. "O candidato que ficar isolado não terá condições de igualdade", disse o diretor do colégio, rabino Samy Pinto. Freddy Setton Marcos, de 17 anos, comemorou o cancelamento da prova. "Só pode ser coisa de Deus", disse. Segundo o Ministério da Educação, cerca de 15 mil sabáticos solicitaram, em todo o Brasil, condições especiais para fazer a prova e foram atendidos.

Mas nem todos comemoraram. A notícia foi recebida com surpresa e decepção pela maioria dos alunos dos principais cursinhos pré-vestibulares de São Paulo. A quebra no ritmo dos estudos e a provável coincidência com outras provas na remarcação do exame foram as principais queixas. Guilherme Alvarez, de 19 anos, ficou inconformado. "O cancelamento foi um baque", disse ele, que concorre a uma vaga em relações internacionais. "Será ruim, já estava preparado psicologicamente para a prova." Com a edição do Estado nas mãos, Thaís Mantovan, de 18 anos, disse que perdeu uma semana. "Estudei só para o Enem. Revendo toda a matéria desde o começo do ano."

Nas escolas de ensino médio e nos cursinhos de Salvador, a reação foi de espanto e alívio. "Estava pronta para a prova, mas um pouco mais de tempo para estudar nunca faz mal", afirmou Ana Clara Coelho, de 19 anos, que concorre a uma vaga de jornalismo. A principal preocupação dos baianos é com a data em que o exame será realizado. Como o vestibular da maior instituição de ensino superior do Estado, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), será realizado nos dias 15 e 16 de novembro, os candidatos temem que haja coincidência de datas e que eles tenham que escolher entre um deles.

Em Belo Horizonte, os candidatos questionavam a credibilidade que o exame terá a partir de agora. Para Daphene Antônio, de 18 anos, muitas instituições que pretendiam adotar o Enem no próximo ano, como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vão rever a decisão. Ela também desconfia da qualidade da nova prova. "Em 45 dias não será possível produzir uma prova totalmente diferente com qualidade."

O vazamento da prova causou protestos de alunos no Rio e no Recife. Os cariocas reclamaram da fragilidade do sistema de segurança, que resultou no vazamento da prova. Um grupo de 150 estudantes se concentrou nas escadarias da Câmara Municipal, na Cinelândia, e seguiu até a sede do ministério.

Com apitos e nariz de palhaço, cerca de 300 vestibulandos do Recife demonstraram sua indignação em uma manifestação na praia de Boa Viagem, zona sul da cidade. Durante duas horas, eles gritavam "Au, au, au, vexame nacional", levando cartazes com os dizeres "Enem é palhaçada" e Enem é prova de incompetência". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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