O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ainda não conseguiu fechar um acordo para votação de projetos importantes em plenário. Na sessão de hoje, os senadores deverão analisar apenas quatro nomeações de autoridades.

O senador também criticou as manifestações "heterodoxas" dos senadores na condução da crise política no Senado. "Acho que temos que nos concentrar no trabalho. O espetáculo deve cessar. Tivemos muitas manifestações heterodoxas de todos os lados. Está na hora de acabar o recreio e começar o trabalho sério", respondeu Jucá quando provocado a opinar sobre a ação do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, ontem, mostrou um cartão vermelho em plenário simbolizando seu pedido para que José Sarney (PMDB-AP) renuncie à presidência do Senado.

Na próxima semana, segundo o líder governista, Sarney deverá ler o texto da Medida Provisória 462, que foi aprovada na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar, e até hoje não iniciou tramitação no Senado. Pelo regimento do Senado, só depois de lida a MP em plenário o trâmite é iniciado. A MP 462 garante o repasse de R$ 1 bilhão para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como forma de compensar as perdas de arrecadação decorrentes da crise financeira mundial.

Hoje, na tentativa de arrefecer o clima no Senado, Romero Jucá retirou da pauta de votações da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o requerimento que pedia a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para falar aos senadores sobre o suposto encontro que teve com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira. Lina Vieira afirma que a ministra lhe pediu, durante esse encontro, para "acelerar" as investigações contra o empresário Fernando Sarney. Mas Dilma nega ter feito tal solicitação.

A ideia de Jucá era apresentar o requerimento e, com a ajuda da maioria dos senadores, que fazem parte da base aliada, rejeitá-lo. Pelo regimento da Casa é proibido apresentar projeto sobre assunto que já foi rejeitado anteriormente. Assim, o governo rejeitaria o convite a Dilma e impediria a oposição que o fizesse durante um possível descuido da base aliada. "O trabalho da gente aqui é de bombeiro, ficamos só apagando incêndio. O requerimento da Dilma era um antídoto, mas, não havendo veneno, não precisa mais de antídoto", disse.

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