Jovens pobres são as maiores vítimas da violência, aponta levantamento do IBGE

RIO DE JANEIRO ¿ Os homens jovens pobres, na faixa de 15 a 29 anos de idade são, ao mesmo tempo, as principais vítimas e os principais causadores da violência que tem afetado a sociedade brasileira. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante o lançamento da publicação ¿Indicadores Sociodemográficos e de Saúde do Brasil 2009¿, no Rio de Janeiro.

Redação |

De acordo com o IBGE, a proporção de mortes causadas na população masculina por violência aumentou principalmente a partir do final dos anos 70. Em 1980, a taxa de óbito era de 12,9% e, em 2005, subiu para 18,3%. Já para as mulheres, os óbitos violentos não são um fator determinante. Seus percentuais são baixos e mantêm-se estáveis: de 4,5%, em 1980, a 4,9%, em 2005.

Homicídios

Segundo o IBGE, de 1980 a 1990, os percentuais de homicídios na população masculina cresceram mais nas regiões Norte (18 pontos percentuais) e Sudeste (14 pontos percentuais). Em 2000, a situação de violência aumentou em todas as regiões, mas atingiu o ápice no Sudeste, onde quase metade das mortes masculinas por causas externas devia-se a assassinatos.

Entre 2000 e 2005, cresceu o percentual de homicídios na população masculina nas regiões Sul, Norte e Nordeste. Nesse mesmo período, após atingir o ápice, ao Sudeste registrou uma queda percentual significativa de: de 48,0% para 41,6%.

Mortes em São Paulo

No Estado de São Paulo, os homicídios representavam a metade das mortes masculinas por causas externas em 2000. No entanto, esse número caiu para 35% em 2005, de acordo com o levantamento do IBGE.

A principal redução das taxas de violência letal contra os jovens também ocorreu em São Paulo: de 168,5 em 2000 para 75,6 por cada 100 mil jovens, em 2005.

Para o IBGE, não somente São Paulo, mas o Sudeste teve uma redução importante na mortalidade de jovens graças ao esforço dos governos estaduais e municipais e da sociedade civil. Segundo o instituto, um exemplo é o Estatuto do Desarmamento, criado em dezembro de 2003, e a campanha de desarmamento, em 2004. Seus efeitos, no entanto, ficaram mais restritos aos grandes centros urbanos.

Armas de fogo

O levantamento do IBGE aponta que a utilização de arma de fogo nos homicídios é muito elevada no País. Em 2000, a taxa de mortes na população masculina por homicídio com uso de arma de fogo era de 72,4 (por 100 mil jovens), passando a 74,5 em 2005.

O Estado de Pernambuco apresentava, em 2000, a taxa mais alta do País, assim se manteve em 2005, apesar de uma pequena redução: de 183,7 para 177,7 por 100 mil jovens. Na Bahia, as taxas quase triplicaram e, no Maranhão, quadruplicaram em um intervalo de apenas 5 anos.

No Sudeste, São Paulo apresentou a maior redução na taxa de óbitos por homicídio com arma de fogo entre os jovens: de 112,6, por 100 mil jovens, em 2000, para a 57,2 em 2005. No Rio de Janeiro também houve redução, mas numa escala bem menor.

De acordo com o estudo, na região Norte, em 2000, o Pará tinha 25 em 100 mil jovens assassinados por arma de fogo. Cinco anos depois, eram 64,6 jovens em 100 mil. Esse aumento pode ser devido aos conflitos de terra nesse Estado.

No Sul também cresceu o número de assassinatos de jovens por arma de fogo. Destaque para os Estados de Santa Catarina, que, em cinco anos mais do que duplicou sua taxa de homicídio juvenil por arma de fogo, e o Paraná, que passou de 45,1 para 88,3 jovens em 100 mil, ao longo desse período.

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