Jovens ignoram riscos à saúde e usam gás de buzina como alucinógeno

A morte da estudante Mariana Finazzi, de 20 anos, em uma festa junina em Fernandópolis (SP), no dia 19, pode ter sido causada pela inalação de gás de buzina, mais bebidas alcoólicas. A inalação do propano, componente do gás de buzina, pode diminuir a concentração de oxigênio no cérebro e causar sensação de euforia e alucinações.

Agência Estado |

O gás não é tóxico. Entre os efeitos físicos provocados pela inalação estão dor de cabeça, fraqueza e alterações no batimento cardíaco. Segundo o delegado José Flávio Gonçalves, responsável pelo caso, outros jovens que estavam na festa disseram que ela teria inalado o gás de buzina e bebido cerveja e vodca.

“Os casos de mortes provocados pelo uso do propano são raros. Essa moça deve ter inalado o gás junto com outras substâncias, como drogas e álcool, que sensibilizam o miocárdio, provocando parada cardiorrespiratória”, avalia o toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas. Há pelo menos 15 anos, o médico atende pacientes que fizeram uso de gás de buzina. O gás expelido pelo bico de aerossol da buzina é o que provoca o barulho e é inalado.

O toxicologista Sérgio Graff, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que a buzina deve conter outra substância, como solvente, que potencializa o efeito alucinógeno do propano. Para coibir o uso, o médico sugere que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obrigue os fabricantes a adicionar um desnaturante no frasco, uma substância com intenso odor. “O gás de cozinha contém uma mistura de dois gases: butano e propano. Para evitar a inalação, é colocado o mercaptana, um desnaturante para que vazamentos sejam percebidos.”

Projeto de lei para proibir a venda dessas buzinas tramita desde março de 2008 no Congresso. O produto é facilmente encontrado, inclusive na internet, e custa, em média, R$ 10.

AE

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