Jovem negro tem 2,6 vezes mais risco de ser assassinado, indica estudo

SÃO PAULO - O risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos. É o que revela estudo divulgado nesta terça-feira pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Redação com agências |

A pesquisa também indica que, para adolescentes do sexo masculino, o risco de ser assassinado é 11,9 vezes maior se comparado ao de mulheres na faixa de 12 a 18 anos. O estudo traz apenas comparativos por cor e gênero e não apresenta os índices de mortes entre jovens negros, brancos, do sexo masculino e feminino.

A coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas, Raquel Willadino, traçou um perfil dos adolescentes que mais morrem por homicídio no Brasil: são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico de drogas. 

Em Foz do Iguaçu, no Paraná, cerca de dez jovens entre mil adolescentes são vítima de assassinato. A cidade registra o maior índice (9,7) de jovens assassinados em cada grupo de mil adolescentes. O valor é mais de três vezes superior à média nacional. 

Após Foz do Iguaçu estão Governador Valadares, em Minas Gerais, com 8,5, e Cariacica, no Espírito Santo, com 7,3. O levantamento avaliou 267 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. A média do Índice de Homicídios na Adolescência é de 2,03 jovens vítimas de assassinato antes de completarem 19 anos.

O município do Rio de Janeiro aparece na 21ª posição na lista, com IHA de 4,9, enquanto São Paulo fica em 151º lugar, com índice de 1,4.

Mortes em sete anos

A pesquisa estima que em um período de sete anos 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados. 

Agência Estado
Estudo estima mais de 33 mil mortes 

 A estimativa foi feita com base em dados de 2006, considerando-se a hipótese de que as circunstâncias observadas naquele ano sejam mantidas.

Para o desenvolvimento do estudo, foram coletadas informações sobre as causas de mortes entre jovens de 12 a 19 anos de idade em 267 municípios, todos com mais 100 mil habitantes.

Os resultados apresentam também o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) no Brasil, que mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado. O valor médio do IHA brasileiro é de 2,03, ou seja, de cada mil adolescentes, 2,03 serão vítimas de homicídio antes de completar os 19 anos.

"Esta cifra por si só deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenômeno no Brasil, particularmente se lembrarmos que o homicídio contra adolescentes deveria ser, a princípio, um fato extremamente raro em qualquer sociedade", diz o estudo.

Mortes entre jovens

De acordo com o levantamento, os homicídios foram responsáveis por 46% das mortes entre adolescentes registradas em 2006. As mortes naturais somaram 26% e os acidentes, 22%.

Os números apontam ainda que 3% dos adolescentes mortos se suicidaram e outros 3% morreram de causas "indefinidas".

(*Com informações da BBC e da Agência Brasil)

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