Jovem mata pai a pauladas na cama na zona sul de SP

Rapaz, segundo familiares, é viciado em crack. Pai estava deitado na cama quando foi agredido

iG São Paulo |

Um rapaz de 22 anos foi preso na noite de quinta-feira, na região do Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, após matar a pauladas o pai, de 54 anos, no momento em que a vítima dormia. O crime foi testemunhado pelo restante da família. 

Ao tentar fugir, o rapaz foi dominado pelos vizinhos e só não morreu linchado porque policiais militares chegaram a tempo. Segundo parentes, o rapaz é viciado em crack. Pai e filho foram encaminhados para o pronto-socorro do Hospital M'Boi Mirim, onde o pai acabou morrendo. 

Após ser medicado, o rapaz foi levado para o 92º Distrito Policial, do Parque Santo Antonio, para depor. Os policiais afirmaram que o rapaz, ainda sobre o efeito da droga, não sabia articular as ideias e não soube explicar o que motivou o crime. Familiares disseram que o relacionamento entre pai e filho e entre os membros de toda a família sempre foi bom.

Consumo de crack

A explosão do consumo de crack no Brasil tem preocupado autoridades e motivou a reunião de policiais de todo o País, nesta semana, para discutir o tema. Durante o encontro, realizado no Rio de Janeiro, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que a explosão do consumo de crack no Brasil é resultado do sucesso de uma política mundial de repressão contra a cocaína.

Sem citar dados estatísticos ou estudos que comprovassem a informação, Corrêa afirmou que o aumento do controle dos insumos necessários para o refino da cocaína nos últimos anos resultou na elaboração de um subproduto, o crack, que passou a ser oferecido pelas quadrilhas de traficantes.

"O crack, por incrível e contraditório que pareça, é um sinal de sucesso de uma política mundial de repressão. Tem diminuído o acesso ao cloridrato (cocaína pronta para o consumo) e aí surge um subproduto tão maléfico e tão perigoso (como o crack). E as quadrilhas vão se adequando a esse mercado", afirmou o diretor-geral da PF, após a abertura da 27ª edição International Drug Enforcement Conference (IDEC).

As afirmações do diretor-geral da PF surpreenderam a cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Candido Mendes, Silvia Ramos. "Não sei de onde ele tirou isso. Essa declaração não procede em relação a todos os estudos internacionais combinados com a nossa experiência empírica no Brasil", disse.

Segundo ela, a entrada do crack é resultado da falência total da atividade do controle da venda de drogas e da ampliação dos mercados dos traficantes. "Todos os estudos mostram que no mundo inteiro, e isso não é diferente no Brasil, o crack tem a ver com economia. É uma criação de opção de consumo de droga para uma parte mais pobre da população", afirmou Silvia Ramos.

O escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) revelou que em 2002, 200 quilos da droga foram apreendidos. Em 2007 (último dado disponível), foram 578 quilos apreendidos.

(*com informações da Agência Estado)

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