Um estudante do terceiro ano do ensino médio descobriu em ovos de aranha um antibiótico promissor. No ano passado, Ivan Lavander Candido Ferreira bateu à porta do Laboratório Especial de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantã.

“Eu queria investigar ovos de opilião”, conta ele, que desde os 16 anos cria em casa esses animais - um parente inofensivo das aranhas. Interessado em artrópodes, o estudante leu um artigo sobre proteínas antibióticas encontradas no veneno de vespas: além de paralisar a presa, as toxinas também desinfetavam o alimento.

A hipótese de Ferreira partia da observação de que os opiliões deixam os ovos ao relento e eles não apodrecem. Deveria haver alguma substância para proteger os ovos de fungos e bactérias, ávidos por matéria viva. O trabalho sobre vespas mostrava que a seleção natural é um laboratório eficaz para a síntese de potentes microbicidas. Após ouvir o rapaz, o pesquisador Pedro Ismael da Silva Junior entregou ao jovem uma bibliografia e solicitou um projeto de pesquisa. Semanas depois, Ferreira voltou ao laboratório com os livros lidos e o projeto impresso.

Silva Junior convenceu Ferreira a trocar os ovos de opilião por ovos de armadeira, aranha agressiva responsável por cerca de 3 mil envenenamentos em 2007, que já era criada no laboratório. O jovem testava as substâncias que conseguia isolar em colônias do fungo Candida albicans - causador de uma micose conhecida popularmente como “sapinho” - e da bactéria Microccocus luteus . Os dois organismos podem produzir quadros graves em pacientes imunodeprimidos. Colônias do fungo e da bactéria apareceram mortas e, assim, Ferreira encontrou a substância que procurava.

Prêmios

A pesquisa rendeu-lhe quatro primeiros lugares na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace 2009), realizada em março na Escola Politécnica da USP, e um segundo lugar na categoria microbiologia da Feira Internacional de Ciências e Engenharia patrocinada pela Intel (Intel Isef 2009), em Nevada, nos Estados Unidos. Foi a premiação mais alta concedida a um estudante brasileiro no evento americano. Agora, com 18 anos, pretende sintetizar em laboratório a substância que identificou nos ovos da aranha e, então, realizar mais testes para determinar a toxicidade do composto.

Alexandre Gonçalves

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