BRASÍLIA - Após sair à francesa do plenário, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira que não irá renunciar ao cargo. ¿Estou com espírito muito bom. Isso (renúncia) não existe¿, afirma Sarney. Ele estava a caminho do gabinete da presidência do Senado quando deu esta declaração. O peemedebista afirmou que não há pressão por parte do filho dele, Fernando Sarney, para deixar o posto de presidente.

    Agência Brasil
    Sarney chega ao Senado nesta segunda

    Sarney, que chegou cerca de 10 minutos atrasado à primeira sessão solene do Senado após o recesso,  presidiu a reunião por mais de 1h30. Apenas depois de quase duas horas, foi feita a primeira menção ao presidente do Senado de forma discreta pelo senador Papaleo Paes (PSDB-AP). Ninguém deve ser condenado sem ser julgado. Ele citou o caso do jornalista Carlos Lobato para explicar os efeitos do pré-julgamento para a vida de alguém.

    O jornalista, segundo Paes, chegou a ser preso e, só cinco anos depois, foi sentenciado como inocente pelo Ministério Público Federal.  Carlos Lobato foi acusado de ter ligações com os envolvidos da Operação Pororoca, que investigava irregularidades em obras no Macapá (AP).

    Reunião

    No domingo, Sarney teve uma reunião com alguns de seus aliados e resolveu permanecer em seu cargo. De acordo com interlocutores, também ficou acertado que seu partido vai para a guerra, revidando ataques e denúncias.

    O primeiro alvo é o senador tucano Arthur Virgílio (AM), que já protocolou seis denúncias contra o peemedebista no Conselho de Ética da Casa.

    Durante a reunião, a avaliação do PMDB é que Virgílio vem perdendo força até mesmo junto ao PSDB, uma vez que ele estaria queimando pontes para um entendimento entre os tucanos e o PMDB com vistas a 2010.

    Na primeira série de ataques da guerra anunciada, o líder peemedebista no Senado, Renan Calheiros (AL), deve protocolar representações contra Virgílio devido a um empréstimo que ele teria recebido do ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, e por ter mantido um funcionário no exterior às custas do Congresso.

    A avaliação do PMDB é que, nos casos, Virgílio é réu-confesso, e que sua defesa seria muito delicada no Conselho de Ética.

    O tucano, por sua vez, diz que não vai sucumbir ao que chamou de chantagem. Fazem isso pois eu comecei com as denúncias. Não vão me intimidar. Prefiro ser atropelado por um caminhão a me calar diante de Renan Calheiros, disse.

    Sobre as possíveis dificuldades que ele estaria criando para uma aliança entre o PSDB e o PMDB para 2010, Virgílio disse que não pode se calar diante dos fatos e denúncias contra Sarney, e que de um jeito ou de outro, metade do PMDB vai estar conosco e metade com eles (PT).

    Por fim, o tucano avaliou que a permanência de Sarney na presidência do Senado e sua intenção de se manter no cargo deve durar alguns dias, mas não deve se efetivar. Nós sabemos que cedo ou tarde ele vai ter de sair, pontuou.

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