O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) negou nesta terça-feira em seu blog na internet a acusação do jornal Folha de S.Paulo de que a possível reativação da Telebrás beneficiaria uma empresa para a qual prestou consultoria, a Star Overseas. A companhia tem participação na quase falida Eletronet, cujo principal ativo são 16 mil quilômetros de fibras óticas que seriam usadas dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), do governo federal, que inclui a reativação da Telebrás.

Em sua edição desta terça-feira, a "Folha de S.Paulo" informa que Dirceu recebeu ao menos R$ 620 mil da Star Overseas, grupo que pode ser beneficiado caso a Telebrás seja reativada. O dinheiro teria sido pago entre 2007 e 2009 por Nelson dos Santos, dono da empresa.

Em 2005, Santos comprou pelo valor simbólico de R$ 1 participação na Eletronet, empresa com dívida de R$ 800 milhões. Segundo o jornal, caso o governo use os 16 mil quilômetros de fibras óticas da Eletronet para reativar a Eletrobras, Santos receberá R$ 200 milhões.

À tarde, durante entrevista na Assembleia Legislativa de São Paulo, Dirceu desafiou os jornalistas a dizer como a Eletronet receberia R$ 200 milhões.

Os cabos de fibra ótica já são do governo por decisão da Justiça. Por que o governo compraria esses cabos?

Questionado sobre a possível incompatibilidade de prestar consultoria com empresas com interesse no governo e ao mesmo tempo participar da campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência, Dirceu respondeu que não trabalha com nenhuma empresa que tenha negócios com o governo.

Não dou consultoria pra nada que diga respeito ao governo.

Ele disse que trabalhou para outra empresa pertencente a Nelson dos Santos - o trabalho, segundo ele, era referente à possibilidade de investimentos em outros países da América Latina, mas não no Brasil.

Em seu blog, Dirceu argumenou ainda não ter influência sobre o processo, como diz o jornal, já que a disputa pelo controle da rede de fibra ótica corre na Justiça entre governo, credores da Eletronet e seus sócios privados.

"(É) uma disputa judicial sobre a qual nem eu, nem qualquer cidadão, tem condições de interferir", disse. "Exista ou não o PNBL e a reorganização da Telebrás, os credores, os proprietários da Eletronet e o governo federal terão que responder pelos passivos e ativos da Eletronet. E cada um poderá ser prejudicado ou beneficiado", continuou.

Quanto à consultoria para a Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, Dirceu confirma ter sido contratado pela empresa e diz não ter impedimento para prestar esse tipo de serviço. Ele nega fazer lobby no governo a favor da empresa.

"Saí do governo há quase cinco anos. Não tenho impedimento para dar consultorias e não há nada que me ligue a qualquer intervenção ou ação do Executivo federal", afirmou.

Com informações da Agência Estado.

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