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A nova proposta de Lei de Imprensa não é consenso entre os empresários dos meios de comunicação presentes no debate da 3ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa, no auditório da TV Câmara, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O jornalista Júlio César Ferreira de Mesquita, do Conselho de Administração do Grupo Estado , declarou-se contrário a uma nova Lei de Imprensa, que substituiria a que foi editada pelo regime militar e está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já o jornalista Luís Frias, do jornal Folha de S.Paulo , se declarou a favor de uma nova legislação.

"Sempre acho que, quanto menos legislação houver, melhor para a nação e para o povo. Um povo educado sabe quando está sendo manipulado", afirmou Mesquita. "A profissão de jornalista é igualzinha a qualquer outro tipo de profissão. Eu sou contra uma legislação específica para regulamentar a profissão de jornalista. O jornalista erra como qualquer outro ser humano erra, e o jornalista, quando erra, tem que ser enquadrado pelo Código Penal e pelo Código Civil." Embora contrário a uma nova legislação, ele afirmou que é favorável à imposição de limites, por lei, ao valor das indenizações pagas por jornais e jornalistas.

Já Luís Frias se declarou a favor da aprovação de um texto pelo Congresso para substituir a Lei de Imprensa. Uma nova lei serviria, de acordo com ele, "para evitar o vazio jurídico de hoje". Na opinião de Frias, a nova legislação deveria contemplar dois valores principais: o direito à informação e o direito da personalidade. A atual Lei de Imprensa é contestada no STF em ação movida pelo PDT. Ela pode ser integralmente anulada nos próximos meses, quando o julgamento da ação for reiniciado. Numa primeira sessão, quando o STF julgou pedido de liminar contra a lei, 20 de seus artigos foram revogados pelos ministros.

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que é favorável à aprovação de uma nova Lei de Imprensa e que a Casa assumiu o compromisso de fazer isso nos próximos meses. Um projeto de nova legislação está pronto para ser votado pelos deputados, mas não há previsão de quando será incluído na pauta.