Jogos Olímpicos não melhoram em nada a questão dos direitos humanos na China

Para os defensores chineses e estrangeiros das liberdades, os Jogos Olímpicos não mudaram em nada a situação dos direitos humanos na China: ela é tão ruim quanto antes no início do evento esportivo.

AFP |

A atribuição do evento à capital chinesa em 2001 deu novas esperanças ao povo chinês de que, sob os olhares do mundo, Pequim seria obrigada a reduzir a pressão exercida pela doutrina do regime.

Durante as competições, no entanto, as ONGs continuam esperando que as autoridades, que acolhem dezenas de jornalistas e turistas internacionais, se vejam obrigadas a dar mais lugar à liberdade de expressão, à liberdade de culto e aos dissidentes.

Os dez primeiros dias das competições não mostraram nada disso: o acesso à internet foi parcialmente restrito, militantes pró-Tibete foram interrogados e os dissidentes detidos logo antes dos Jogos ainda não foram liberados.

"Até hoje, o que foi anunciado publicamente não ocorre de fato, o que suscita inúmeras questões", declarou sábado Giselle Davies, porta-voz do Comitê Internacional Olímpico (CIO).

Por exemplo, Zhang Wei, morador de Pequim que tentou obter compensações pela demolição de sua casa, foi condenado a 30 dias de prisão por "causar problemas à ordem pública".

Para Nicholas Bequelin, da organização Human Rights Watch (HRW), os Jogos Olímpicos não "favoreceram as reformas em termos de direitos do Homem, eles na verdade retardaram o trabalho em andamento e provocaram o aumento dos abusos".

"A estratégia adotada por Pequim para a preparação dos Jogos foi de erradicar todas as vozes críticas para impedi-las de enviar mensagens ao mundo pela imprensa internacional", disse.

A esposa do dissidente detido, Hu Jia, desapareceu na véspera dos Jogos. Desde então, todas as tentativas de encontrar Zeng Jinyan fracassaram.

Hu Jia, uma das vozes mais críticas do regime, foi condenada em abril por "tentativa de subversão".

O desaparecimento de Zeng "está claramente ligado aos Jogos Olímpicos, porque perdemos contato justo antes do início das provas", declarou à AFP Li Fangping, advogado do dissidente, que também teve de deixar a capital por causa da pressão das autoridades.

mbx/lm

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