Jogos de guerra simulam defesa do petróleo em águas brasileiras

Por Eduardo Simões NITERÓI (Reuters) - Dezessete navios, cerca de 9 mil militares, mais de 300 veículos de transporte e 40 aeronaves. É com esse poderio que o país verde pretende atacar o vizinho país amarelo e evitar o risco de perder o controle do megapoço de petróleo recentemente descoberto pela estatal PetroVer numa área em disputa pelos dois países.

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Essa é a simulação montada pelas Forças Armadas na Operação Atlântico, por meio da qual o Brasil procura mostrar ao mundo que tem capacidade de proteger a região onde estão concentrados os principais ativos de sua indústria de petróleo, entre eles os megacampos do pré-sal, que têm potencial de transformar o Brasil num dos principais produtores mundiais de petróleo.

'Esse é um exercício que contribui para a dissuasão', disse a jornalistas o almirante Edlander Santos, chefe do Estado-Maior do comando combinado da operação, que terá participação de Marinha, Exército e Força Aérea.

Em um centro de treinamento da Marinha, na ilha de Mocanguê, em Niterói, Edlander ressaltou que 'realizar um exercício dessa magnitude, apesar das restrições orçamentárias' mostra a capacidade de defesa das Forças Armadas do Brasil.

O 'pais verde' é formado por Rio de Janeiro, norte de São Paulo e partes de Minas Gerais e Goiás. Já o território 'amarelo' incorpora Bahia e Espírito Santo.

Tudo começou no último dia 6 de setembro com o envio de forças especiais 'verdes' ao território 'amarelo. Isso porque, assim como nas guerras reais, nesse tipo de exercício, forças especiais também são enviadas antes do início do ataque para avaliar as condições do inimigo.

Essas forças aguardam o próximo dia 22 para destruir a infra-estrutura logística e de controle do tráfego aéreo 'amarela' na praia de Itaóca, no Espírito Santo.

Depois disso, serão resgatados por 1.073 militares 'verdes' embarcados nesta sexta nos navios Mattoso Maia, Garcia D'Avila, Rio de Janeiro e Ary Parreiras.

Depois da apresentação do plano das manobras por Edlander, os jornalistas foram ao Garcia D'Avila, navio de desembarque de carros de combate, na primeira visita da imprensa a uma das mais novas aquisições da Marinha brasileira.

Com capacidade para até 330 tripulantes e transportar 17 veículos pesados ou 100 mais leves, o Garcia D'Avila vivia, perto do meio-dia, os últimos preparativos para deixar o centro de treinamento em direção à região das manobras, com um forte cheiro de comida sendo preparada no ar.

ATAQUE TOTAL A partir da junção das forças verdes, o conflito se desenrolará com exercícios de ataque aéreo a alvos em terra, assaltos aeroterrestres com militares do Exército, defesa de portos, entre outras manobras.

De acordo com o almirante Edlander, poucos equipamentos da Marinha que estarão na Operação Atlântico foram deslocados para o exercício. 'A Marinha, na sua maior parte, está concentrada na área da operação', explicou.

Edlander estava acompanhados de oficiais da Marinha e de executivos de empresas do setor petrolífero como Shell, Chevron e Transpetro.

'Tropas especiais, principalmente da Força Aérea e do Exército, foram deslocadas'. acrescentou.

Segundo o almirante, a Operação Atlântico difere de outros exercícios militares, como a Operação Unitas, realizada frequentemente em cooperação com os Estados Unidos e que, no ano que vem, completará 50 anos.

'Por ser um exercício que tem como objetivo a defesa de pontos estratégicos do país, ela (a Operação Atlântico) não conta com a participação de países aliados', afirmou.

A Unitas, aliás, foi evocada pelo almirante e por outros oficiais da Marinha como exemplo de colaboração entre as forças navais de Brasil e Estados Unidos e para afastar eventuais preocupações com a Quarta Frota da Marinha dos EUA, recentemente recriada.

'Não há preocupação (com a Quarta Frota), porque nós temos um histórico de realização de exercícios com a Marinha americana, como na Operação Unitas', disse o capitão de mar-e-guerra, Carlos Dantas, chefe do Estado Maior da 1a Divisão da Esquadra, enquanto fuzileiros navais devidamente armados embarcavam no Ary Parreiras ao som do hino da Marinha.

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