Jogo violento prejudica desenvolvimento da criança, diz psicóloga

Jogos com conteúdo violento podem prejudicar o desenvolvimento de crianças e jovens, além de causar efeitos nocivos também em adultos, segundo especialistas. A coordenadora da Psiquiatria do Hospital Albert Einstein, Ana Luiza Simões Camargo, explica que os jogos só têm o poder de deflagrar o que ¿já está na pessoa¿.

Agência Estado |

Ressalta, porém, que tais jogos provocam uma certa permissividade em relação a situações de violência. Aquilo que é horroroso se torna banal e até divertido. E isso é especialmente prejudicial para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, diz.

A familiarização com a violência também é apontada como efeito dos jogos pelo psiquiatra Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Atendimento a Dependentes de Internet, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. O cérebro absorve e se adapta facilmente a novidades e cria tolerância, no caso desses jogos, a comportamentos desencorajados na sociedade, diz o médico.

Embora não existam pesquisas que comprovem a reprodução na vida real do comportamento observado no jogo, segundo Nabuco, a perda do senso crítico, daquilo que é certo e errado, pode levar a uma agressividade patológica, se existe predisposição na personalidade. O jogo pode reforçar o caráter, diz.

Para o psicólogo Erick Itakura, do Núcleo de Pesquisa em Psicologia e Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), esses jogos põem a moralidade no esgoto e fazem o mal prevalecer sobre o bem. Se o jovem ou adulto já tem predisposição à violência, o jogo pode ser o gatilho. Ana Luiza, do Einstein, explica que certa dose de agressividade faz parte do ser humano e pode até ser útil. Ela cita como exemplos o desejo de vencer ou a capacidade de se proteger. Mas a violência pela violência é destrutiva.

Os pais devem estar atentos. Proibir, simplesmente, pode aguçar a curiosidade. Neurotizar também não ajuda. O ideal é conversar abertamente com os filhos sobre as relações humanas, a brutalidade e a gravidade de atos violentos, como um estupro. E acompanhar o comportamento deles, verificando se a atração por violência se repete, diz Ana Luiza.

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