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Jobim visita Morro da Providência e diz que obras do PAC têm que continuar

RIO DE JANEIRO - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitou nesta terça-feira o Morro da Providência e evitou falar sobre eventual retirada. O ministro enfatizou no entanto que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm que continuar. Isso é um problema que vamos resolver depois. As obras têm de continuar.

Redação com Agência Estado |

Agência Estado
Mãe de jovem assassinado ouve Jobim
Jobim cobrou da tropa que trabalha na ocupação da comunidade que se esforce para superar a crise provocada pela morte de três jovens da favela entregues por militares a traficantes de outra favela, o Morro da Mineira. Ele pediu que os militares compreendam a "catarse" provocada pela revolta dos moradores e não revidem provocações. Para o ministro, somente a satisfação dos moradores com a conclusão das obras do projeto Cimento Social, que reforma telhados e fachadas de casas, poderá superar o que classificou de "ato repudiável".

O ministro falou a 250 homens da Companhia de Comando do Comando Militar do Leste (CML) e afirmou que os moradores, que enfrentaram militares durante um protesto na porta do CML nesta segunda-feira, têm razão ao exibir sua revolta diante do crime praticado pelos 11 militares presos.

"Há que ter a tolerância e a compreensão de que algumas pessoas foram atingidas no reduto mais importante, que é a vida dos seus irmãos. Vocês precisam compreender com clareza que essas pessoas têm razão no extravasamento do seu ódio, da sua angústia. Vocês precisam ter a altivez que tem o Exército para compreender, aceitar e verificar que não é uma agressão pessoal, mas o transbordamento de uma angústia decorrente de uma ação praticada por um de vocês. Que foi exatamente o que aconteceu", discursou Jobim à tropa.

Parentes das vítimas

Depois de falar à tropa no quartel, no final da tarde, Jobim voltou à Providência, onde se reuniu com parentes das vítimas. Ele chegou por volta de 18h à Praça Américo Brum, local onde os jovens foram abordados, agredidos e levados pelos militares. Visivelmente tenso, Jobim foi recebido por gritos de "justiça". Ao contrário do que pediam os moradores, Jobim não anunciou a saída das tropas do morro.

Ele se desculpou especialmente com Liliam Gonzaga, mãe de uma das vítimas, e abraçou outros familiares. "Ouvi um breve relato das torturas e mutilações sofridas pelos filhos delas", contou o ministro. Cercado por um cordão de isolamento de militares e seguranças, ele deixou o local sob gritos de "Fora Exército!" e "Assassinos". Para Jobim, não houve falta de comando no episódio e sim um "claro desvio de conduta" dos subordinados envolvidos no crime.

Exército não está apto, diz ministro

O Ministro da Justiça, Tarso Genro, disse na tarde desta terça-feira que as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública nas cidades . "Isto comprova uma visão que é do presidente, de que as Forças Armadas não estão aptas para tratar da segurança pública".

Ele ressaltou ainda que o ocorrido é absolutamente lamentável. "Este fato é altamente negativo e as Forças Armadas vão tomar todas as providências para punir estes responsáveis".

Exército vai rever ocupação

Após reunião com líderes comunitários do Morro da Providência nesta terça-feira, o Exército informou que vai reduzir o número de militares responsáveis pela segurança das obras do projeto Cimento Social, do Ministério das Cidades.

Agência Estado
General se desculpa por morte de garotos
O Exército também vai decidir, até a próxima quinta-feira, se mantém a ocupação na localidade. Os funcionários da obra, que haviam paralisado as atividades em decorrência da morte de três jovens da comunidade, vão retomar os trabalhos em caráter emergencial.

O anúncio foi feito pelo comandante da 9ª Brigada de Infantaria, general Mauro Cesar Cid - que pediu desculpas às famílias dos jovens assassinados por traficantes do Morro da Mineira, na zona norte.

Militares prestarão depoimento

Oito militares ¿ seis soldados e dois sargentos - serão ouvidos pelo delegado Ricardo Dominguez, nesta terça-feira, no 1ª Batalhão de Polícia do Exército, localizado na Tijuca, zona norte. Eles iriam à unidade policial, mas prestarão depoimento no Exército por medida de segurança. Dominguez espera esclarecer a participação de cada um dos 11 indiciados, que estão presos administrativamente.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Nesta segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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