O ministro da Defesa, Nelson Jobim, aproveitou o discurso de hoje na cerimônia de recebimento dos dois últimos Mirage 2000 que atuarão na defesa aérea do País pelos próximos sete anos para deixar clara sinalização da sua preferência pelo modelo francês, na compra dos novos caças no projeto FX2, em análise pela Força Aérea. Jobim criticou a falta de disposição para formação de parcerias estratégicas, com transferência de tecnologia de países como os Estados Unidos, a Rússia e a Suécia, todos concorrentes no FX2.

Ele foi ainda mais duro em relação aos Estados Unidos. Reclamou que eles vetaram a venda de super-tucanos para a Venezuela porque o avião possuía um componente de navegação, o GPS, de tecnologia norte-americana. "Os precedentes não ajudam muito", afirmou o ministro após a cerimônia, ao ser questionado se os norte-americanos estavam "atrás" na concorrência por causa das limitações de transferência de tecnologia.

"Tivemos um trabalho imenso para negociar um elemento mínimo do avião, que era o GPS." Porém, ele contou que na viagem que fez no mês passado aos EUA, tanto a Boeing, que fabrica o F-18, quanto a Lockheed-Martin, do F-16, prometeram transferência de tecnologia. "Mas há dados que temos de considerar", disse Jobim.

O ministro da Defesa e o Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, querem assinar no ano que vem contrato de compra de 20 a 24 novos caças a serem entregues até 2015, quando os 12 Mirage 2000 começam a sair de operação. Segundo Saito, somente no final do ano, depois da análise mais completa das seis propostas recebidas, serão definidos os dois ou três modelos pré-selecionados.

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