Jobim pede calma ao Exército para superar crise no RJ

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitou hoje o Morro da Providência e cobrou da tropa que trabalha na ocupação da comunidade que se esforce para superar a crise provocada pela morte de três jovens da favela entregues por militares a traficantes de outra favela, o Morro da Mineira. Ele pediu que os militares compreendam a catarse provocada pela revolta dos moradores e não revidem provocações.

Agência Estado |

Para o ministro, somente a satisfação dos moradores com a conclusão das obras do projeto Cimento Social, que reforma telhados e fachadas de casas, poderá superar o que classificou de "ato repudiável". O ministro indicou que o Exército cogita deixar a comunidade, mas evitou falar sobre eventual retirada.

"Isso é um problema que vamos resolver depois. As obras têm de continuar", disse Jobim. Os operários ameaçam paralisar os trabalhos amanhã se os militares permanecerem. O ministro falou a 250 homens na Companhia de Comando do Comando Militar do Leste (CML) e afirmou que os moradores, que enfrentaram militares durante um protesto na porta do CML ontem, têm razão ao exibir sua revolta diante do crime praticado pelos 11 militares presos.

"Há que ter a tolerância e a compreensão de que algumas pessoas foram atingidas no reduto mais importante, que é a vida dos seus irmãos. Vocês precisam compreender com clareza que essas pessoas têm razão no extravasamento do seu ódio, da sua angústia. Vocês precisam ter a altivez que tem o Exército para compreender, aceitar e verificar que não é uma agressão pessoal, mas o transbordamento de uma angústia decorrente de uma ação praticada por um de vocês. Que foi exatamente o que aconteceu", discursou Jobim à tropa.

Depois de falar à tropa no quartel, no final da tarde, Jobim voltou à Providência, onde se reuniu com parentes das vítimas. Ele chegou por volta de 18h à Praça Américo Brum, local onde os jovens foram abordados, agredidos e levados pelos militares. Visivelmente tenso, Jobim foi recebido por gritos de "justiça". Ao contrário do que pediam os moradores, Jobim não anunciou a saída das tropas do morro.

Ele se desculpou especialmente com Liliam Gonzaga, mãe de uma das vítimas, e abraçou outros familiares. "Ouvi um breve relato das torturas e mutilações sofridas pelos filhos delas", contou o ministro. Cercado por um cordão de isolamento de militares e seguranças, ele deixou o local sob gritos de "Fora Exército!" e "Assassinos". Para Jobim, não houve falta de comando no episódio e sim um "claro desvio de conduta" dos subordinados envolvidos no crime.

Colaborou Pedro Dantas

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