Jobim nega que obras do Cimento Social têm caráter eleitoral

BRASÍLIA ¿ O ministro da Defesa Nelson Jobim isentou, nesta quinta-feira o Exército de participação eleitoral nas obras do projeto Cimento Social, que prevê a reforma de 782 casas no Morro da Providência, Centro do Rio. Ele defendeu a continuidade das obras e questionou as críticas a atuação dos militares. ¿O que importa? o processo eleitoral ou o bem estar do cidadão? Essa é a decisão que os senhores devem tomar¿, disse, em recado aos demais parlamentares.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

O exército brasileiro não tem nenhuma participação nesse processo de exploração eleitoral. Apesar de quem patrocinou (as obras) no início ter sido o senador Crivella (Marcelo Crivella), há um sentido social efetivo. O problema de exploração eleitoral e processo eleitoral é outra situação, defendeu, durante depoimento na sessão conjunta da Câmara que reúne as comissões de Direitos Humanos, Relações Exteriores e Segurança Pública.

Em sua apresentação, o ministro mostrou o processo de participação dos militares nas obras e fez questão de mostrar fotografias, enfocando que a comunidade mudou com o projeto. Fazendo uma condenação à paralisação do Cimento Social, ele disse que a própria população realizou um mutirão para finalizar as primeiras 80 casas do programa.

Onze militares do Exército são acusados de entregar três jovens do Morro da Providência a traficantes do morro da Mineira, uma facção rival. Os jovens foram espancados e mortos.

Nesta quinta, a comissão especial criada para acompanhar as apurações sobre o assassinato de três jovens do Morro da Providência, no Rio apresenta seus relatórios. As comissões foram criadas pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. 

Depoimentos

O juiz Marcelo Ferreira Granado, da 7ª Vara Criminal Federal no Rio, começa a ouvir nesta quinta-feira  os depoimentos de todos os 11 militares do Exército acusados no caso. Os militares estão com a prisão preventiva decretada e foram denunciados pelo Ministério Público Federal por homicídio triplamente qualificado. Nesta quinta-feira, serão interrogados o tenente Vinicius Ghidetti, o sargento Leandro Maia Bueno e os soldados José Ricardo de Oliveira Alves e Julio Almeida Ré.

Entenda o caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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