Jobim diz que tráfico reagiu contra presença de Exército na Providência

BRASIL - Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a defender, nesta quinta-feira, a presença militar no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, onde o Exército participava de um projeto social destinado à reforma de casas populares. Segundo ele, a presença dos militares na localidade incomodou os taficantes, que reagiram, em grande parte, contra o Exército.

Redação com Agência Brasil |

Segundo Jobim, o país compreendeu que a morte de três jovens moradores do morro, entregues por militares a traficantes do Morro da Mineira, membros de uma facção rival à que controla a Providência, ocorreu devido ao desvio de conduta de um cidadão, o tenente Vinicius Ghidetti.

Agência Brasil
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Jobim voltou a defender tropas no morro
As Forças Armadas e o Exército não têm responsabilidade por esse tema, pois isso decorreu de uma desobediência. Não podemos atribuir essa conduta às Forças Armadas, afirmou o ministro, ao participar esta manhã (10) de entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília.

Jobim ainda atribuiu à presença de militares no Morro da Providência uma redução de atividades ilícitas. Segundo ele, isso teria motivado parte das manifestações contrárias ao Exército.

A presença das Forças Armadas no morro determinou uma redução do uso do local como ponto do tráfico, criando problemas para os traficantes. Portanto, temos que entender que as reações contra as ações das Forças Armadas, misturadas à disputa eleitoral municipal, foram em grande parte dirigidas pelo próprio tráfico, a quem não interessava a presença militar dentro do morro.

Além de comentar o envolvimento do Exército no episódio, Jobim respondeu a perguntas sobre o incentivo governamental à aviação regional brasileira, admitiu a necessidade de que o efetivo militar presente na Amazônia seja reforçado, negou que guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenham ingressado em território brasileiro e fez um balanço das iniciativas adotadas pelas autoridades do setor aéreo para conter a crise que atingiu a aviação brasileira a partir do final de 2006.

Jobim afirmou que a segurança de vôos foi restabelecida após os acidentes com os vôos 1907, da Gol, em setembro de 2006, e 3054, da TAM, em julho de 2007. De acordo com o ministro, hoje o percentual de atrasos está abaixo do registrado no início do ano passado. A febre baixou enormemente, ou seja, a parte aguda da crise desapareceu.

No entanto, o ministro frisou que, embora os atrasos de mais de 60 minutos tenham baixado de 25,8%, em julho de 2007, para 8%, em maio deste ano, ainda é necessário resolver os atrasos de mais de meia hora, que atingiram 19,8% dos vôos no mês passado.

Ainda temos problemas de infra-estrutura que estão sendo analisados, mas das três grandes bases da aviação civil ¿ segurança , regularidade e pontualidade ¿, a segurança já está composta (resolvida) e caminhamos para os outros pontos.

O ministro também garantiu que o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, permanecerá sob administração da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A principio, ele ficará com a Infraero. Estamos investindo no aeroporto, já há licitações em andamento para a reforma do Terminal 1. Houve um aumento da freqüência de vôos e agora caminhamos para a retomada do Rio de Janeiro como base de vôos  internacionais.

Três prisões revogadas

O juiz Marcello Ferreira Granado, da 7ª Vara Federal Criminal, revogou a prisão preventiva do cabo Samuel de Souza Oliveira, do sargento Bruno Eduardo de Fátima e do soldado Eduardo Pereira de Oliveira, que estão entre os onze militares envolvidos na morte de três jovens no morro da Providência, no Rio de Janeiro.

Para Granado, o soldado e o sargento não teriam participado da detenção das vítimas e o cabo não teria contribuído de forma relevante no crime. O juiz concluiu então que não haveria receio de que ameaçassem testemunhas moradoras da localidade. Na decisão, o juiz também alegou que em outros momentos do caso os três permaneceram em situação de obediência hierárquica, sem participação determinante no desfecho do episódio.

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Tenente Vinicius chora durante depoimento
Acusado de ser o responsável pela entrega de três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes do Morro da Mineira, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade chorou muito ao ser interrogado pelo juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Criminal Federal, nesta quinta-feira. Em seu depoimento, ele disse que sofreu pressão de seus subordinados ¿ os outros 10 militares envolvidos no caso ¿ e resolveu dar um susto nos jovens. 

O tenente contou não ter imaginado que os traficantes da Mineira ¿ morro controlado pela facção Amigo dos Amigos, rival a Comando Vermelho, da Providência ¿ fossem matar os três jovens. 

Indenização

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que um projeto de Lei do Executivo será enviado ao Congresso Nacional para estipular que tipo de indenização os familiares dos três rapazes do morro da Providência, centro do Rio, assassinados por traficantes de um morro rival após serem entregues por membros do Exército, devem receber.

De acordo com Jobim, a idéia é oferecer um salário mínimo (R$ 415) por mês para cada uma das famílias. O ministro não deu detalhes sobre o tempo em que o benefício será concedido.

Na ocasião Jobim defendeu o uso do Exército em ações sociais, negou um possível caráter eleitoral nas obras do programa e lamentou a determinação da Justiça eleitoral em suspender as obras na Providência. Para ele, quem mais saiu perdendo foi a população local.

Entenda o caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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