Jobim diz que óleo pode excluir explosão de Airbus

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A existência de manchas de óleo no oceano deixadas pelo avião da Air France que fazia o voo AF 447 pode descartar a possibilidade de a aeronave, que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo, ter sido alvo de uma explosão.

Reuters |

A afirmação é do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que também disse a jornalistas nesta quarta-feira que as equipes que atuam na região onde a aeronave caiu no domingo não encontraram corpos ou sobreviventes.

"A existência de manchas de óleo pode eventualmente excluir a possibilidade de incêndio, explosão. Senão, não teria mancha de óleo", comentou o ministro, que acrescentou que "não há nenhuma sinalização" de terrorismo.

"A única hipótese que se pode trabalhar é que, se nós temos mancha de óleo, isso significa que esse óleo não foi queimado."

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) encontraram nesta quarta-feira novos destroços do jato da Air France, e duas das cinco embarcações destacadas pela Marinha para os trabalhos de busca chegaram à região onde foram avistados destroços, mas ainda não localizaram os restos da aeronave.

"Por enquanto, nesses levantamentos feitos pela Aeronáutica e pela Marinha não foram encontrados corpos nem sobreviventes", disse Jobim, acrescentando que o trabalho de recolhimento dos materiais só deve ocorrer na quinta-feira.

Sobre encontrar corpos, o ministro disse que o fato de o avião ter caído na costa de Pernambuco representava um problema adicional. Perguntado se ele se referia à existência de tubarões na região, o ministro respondeu que "é uma hipótese".

"Corpos que caem no mar tem dois tipos de possibilidade: os que não têm o abdômen íntegro afundam e não voltam. O corpo que tem o abdômen íntegro leva um tempo superior a 48 horas, às vezes vai a 70 horas, para voltar à superfície", explicou.

"O que nós estamos tentando aqui é a tentativa de buscas de sobreviventes. Ou melhor: restos", complementou.

Jobim destacou que, até o momento, a FAB ainda não captou eventuais sinais emitidos pela caixa-preta do avião da Air France, que pode estar localizada a entre 2 mil metros a 3 mil metros de profundidade.

A investigação, reiterou o ministro, é responsabilidade da França, país onde o avião foi matriculado. "Esses elementos (destroços) serão entregues aos franceses no momento oportuno", esclareceu Jobim, que disse que não há data definida para a interrupção das buscas.

A Aeronáutica informou pela manhã que uma aeronave R-99 da Força Aérea Brasileira (FAB) identificou às 03h40 (horário de Brasília) mais quatro pontos de destroços, 90 quilômetros ao sul da região inicialmente coberta pelas aeronaves da FAB.

A tripulação a bordo do R-99 observou vários objetos espalhados numa área circular de 5 km de raio, entre eles um objeto de 7 metros de diâmetro e outros 10 objetos, sendo alguns metálicos, além de uma mancha de óleo com extensão de 20 km.

De acordo com a FAB, outras cinco aeronaves militares --três Hércules, um P-3 dos EUA e um Falcon francês-- decolaram de Natal com destino à área das buscas para percorrer os quatro novos pontos identificados.

No início da noite, no entanto, o ministro afirmou que os destroços passaram a se concentrar em duas faixas, distantes cerca de 240 quilômetros entre si.

DANO ESTRUTURAL

O avião da Air France passou por forte turbulência quatro horas após decolar do Rio, e 15 minutos depois enviou uma mensagem automática reportando problemas elétricos e despressurização.

"Eu ainda continuo achando que esse avião foi danificado estruturalmente por turbulência violenta, um vento convexo. Daí para frente o piloto tentou corrigir isso e nem Deus vai saber o que aconteceu", disse à Reuters o brigadeiro da reserva José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero.

"Cinco quilômetros é uma área muito pequena para os destroços. Ele caiu muito concentrado, mas a destruição foi total. A concentração dos destroços mostra que a fuselagem rompeu completamente, mas uma asa pelo menos estava intacta", acrescentou.

Paul Louis Arslanian, chefe da agência de investigação de acidentes aéreos da França, demonstrou pessimismo sobre as chances de se encontrar as caixas-pretas e acrescentou que o inquérito sobre o acidente pode não revelar todas as razões para a queda do avião.

"Não posso descartar a possibilidade de que podemos acabar com um relatório relativamente insatisfatório em termos de certezas", disse Arslanian a repórteres. "Mas vamos fazer o nosso melhor para limitar a incerteza", acrescentou.

As caixas-pretas são feitas para enviar sinais de localização por até 30 dias quando estão na água.

MAIS NAVIOS NAS BUSCAS

Além do navio patrulha Grajaú e da Corveta Caboclo, que chegaram à região das buscas nesta quarta-feira, é esperada a chegada de mais uma embarcação da Marinha na quinta-feira, o que deve se repetir na sexta-feira e no sábado com mais dois navios.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local.

De acordo com a Marinha, dois navios mercantes também estão na região --um holandês e um francês-- e ajudam na operação. Um terceiro navio mercante que estava no local pediu para deixar a área por falta de combustível.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro; e Crispian Balmer em Paris; Edição de Eduardo Simões)

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