Jobim conversa com chefe do Exército sobre críticas

Informado sobre resistências à Estratégia Nacional de Defesa na alta cúpula do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, telefonou ontem ao comandante da Força, general Enzo Martins Peri, que participava da reunião com generais, para saber da extensão das críticas e de seu alcance na caserna. Na conversa, Enzo tranquilizou Jobim e disse que os documentos com críticas apresentados por três generais de Exército, como revelou o Estado , são pessoais.

Agência Estado |

Segundo ele, as críticas são pontuais e foram apresentadas aos demais generais com objetivo de deixar registrados seus pontos de vista. Dois dos três generais que se manifestaram ontem sobre a Estratégia de Defesa, formulada pelo próprio Jobim, estão deixando o serviço ativo no dia 31. Algumas das críticas passam pelo que chamam de temor de politização das Forças Armadas. Eles protestam contra o fato de que os militares poderão ser ainda “mais afastados dos círculos decisórios”.

Nos documentos, deixam clara ainda a insatisfação com a parte que coube ao Exército no plano de Defesa, que “evidencia uma desproporção no que tange aos objetivos das Forças Armadas”. Para os generais, não está previsto para o Exército “nenhum projeto de modernidade, ao contrário do que ocorre em relação à Marinha e à Força Aérea”. Os militares condenam ainda o artigo do plano de Defesa que unifica as compras do ministério. Um dos documentos cita que essa centralização permite “a introdução de idiossincrasias típicas da administração civil, como a corrupção e o tráfico de influência”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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