O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu que houve desatenção, inclusive dele próprio, na análise do conteúdo dos documentos secretos da Aeronáutica, entregues ao Arquivo Nacional no início do mês passado. Em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado, Jobim negou que a Aeronáutica tenha sonegado a entrega dos seus documentos secretos, como tinha sido solicitado em 2006 pela Casa Civil.

O ministro lembrou que poucos dias depois desse pedido a Aeronáutica informou oficialmente à Casa Civil que dispunha de documentos.

O problema é que na comunicação de 2006, o então comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, afirmara que a documentação era genérica, de fulcro componente histórico, retratando a ambiência nacional então vigente. E no pedido a Casa Civil tinha sido explícita no pedido de entrega de papéis que dissessem respeito a toda e qualquer investigação, perseguição, prisão, interrogatório, cassação, operação militar, estratégia, entre outros pontos. Na sua resposta de 2006, o Comando negou que existissem documentos desse tipo no acervo.

O conteúdo do acervo, porém, derruba essa versão, já que os 50 mil documentos contêm, por exemplo, informes sobre atividades de militantes de esquerda, relatórios de interrogatórios, operações de busca a Che Guevara, cartas inéditas de Carlos Lamarca e pelo menos cem informes sobre a Guerrilha do Araguaia. A versão foi aceita e repassada pela Aeronáutica e pelo Ministério da Defesa durante quase quatro anos, quando o acervo foi finalmente entregue ao Arquivo Nacional, depois de pedido do Ministério Público Militar.

Jobim, porém, entende que a Aeronáutica sempre disponibilizou os arquivos, mas que, de fato, houve essa desatenção. Ele entregou à Comissão a lista com os índices de títulos dos arquivos secretos entregues e cópia da troca de correspondências da Aeronáutica, Defesa e Casa Civil.

A audiência foi marcada para que Jobim apresentasse sua visão sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, especialmente em relação à criação da Comissão da Verdade para investigar o período do governo militar.

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