João Pedro convoca assessor de Álvaro Dias e diz que senador mentiu

BRASÍLIA - O senador João Pedro (PT-AM) protocolou um requerimento convocando o assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Eduardo Fernando da Silva, para depor na CPMI dos Cartões Corporativos. Foi Silva quem recebeu por e-mail o dossiê com gastos do ex-presidente FHC, enviado pelo funcionário da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, que já tem requerimento de convocação protocolado na comissão. João Pedro espera que ambos sejam aprovados pela CPI.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

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  • O senador petista também cobrou explicações de Álvaro Dias, que acusou de mentir na tribuna do Senado. Ele apresentou notas taquigráficas em que o tucano diz que se soubesse "quem vazou a informação do Palácio do Planalto" ele diria.

    A declaração de Dias foi dada em dois de abril, apesar disso, o e-mail com o dossiê, enviado por Aparecido e recebido por André Eduardo, data de 20 de fevereiro. O senador tucano, em matérias veiculadas nesta quinta e sexta-feira, admite que seu assessor lhe comunicou o recebimento do material.

    "No estrito cumprimento de seu dever, ele [André] comunicou o fato. Se não o fizesse, teria cometido uma infração administrativa", disse Dias à imprensa.

    Com esses elementos, João Pedro alegou que Álvaro também deve explicações. Ele comentou, porém, que o esclarecimento não precisa ser feito na CPMI, podendo acontecer na tribuna do Senado. Pedro ainda falou que somente após ouvir o colega pensará acusações como a de quebra de decoro.

    Questionado se a base do governo concorda em convocar tanto André quanto o funcionário da Casa Civil e filiado ao PT, José Aparecido, o senador disse pensar que sim, e que pelo menos ele "topa".

    Sobre um possível fogo amigo, Pedro mostrou cautela, e alegou que é preciso ouvir as explicações de Aparecido na CPMI antes de tirar conclusões. Mesmo assim, ele não descartou a possibilidade. "Petista acerta e petista erra", disse.

    Por fim, o senador também não descartou a possibilidade do dossiê ter sido montado não na Casa Civil, mas sim no gabinete do senador Álvaro Dias. A tese foi aventada pelo relator da CPMI dos cartões, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), alegando que os dados contra FHC e sua esposa, dona Ruth Cardoso, podem ter sido "pinçados" a partir de um arquivo maior enviado por Aparecido a André.

    "Tem rumo, é certo dizer isso. Ele [Álvaro] admite que desde fevereiro conhece os dados. A posição do relator é correta", concluiu.

    Reprodução/ TV Globo
    José Aparecido Nunes teria vazado o dossiê
    Nesta manhã, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, mas afirmou que ele não é seu aliado.

    Entenda o caso

    No dia 4 de abril, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem com uma cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil , revelando um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, e de ministros tucanos.

    A "Folha", que teve acesso ao documento, afirma que no período de uma semana foram criadas pastas diferentes para 1998, ano em que FHC foi reeleito, e os quatro anos do segundo mandato.

    Ainda segundo o jornal, as planilhas, fartas em registros de compras de bebidas alcoólicas, trazem anotações que poderiam orientar os aliados governistas nos trabalhos da CPI dos Cartões, criada após a divulgação de gastos irregulares com cartões corporativos por membros do governo Lula.

    Após a divulgação das planilhas, a ministra Dilma Rousseff teria telefonado para a ex-primeira-dama, Ruth Cardoso , dizendo que não se tratava de um dossiê. Dilma ainda convocou uma entrevista coletiva, em que voltou a negar a existência do dossiê.

    Na ocasião, a ministra defendeu que o que havia sido feito era um banco de dados para sistematizar dados do governo FHC, afim de informar membros da CPI sobre os gastos.

    Nesta quarta-feira, em depoimento de mais de 9 horas no Senado, Dilma voltou a negar a existência do dossiê .

    Ao longo do depoimento, Dilma alegou que os dados vazados no suposto dossiê com gastos do ex-presidente FHC não são sigilosos . De acordo com ela, um decreto de dezembro de 2002 regulamentou quais são as informações reservadas. A partir dessa tese, passaria a não haver crime no vazamento das informações, já que os dados divulgados são anteriores a esta data.

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