João Donato e convidados lembram anos dourados da bossa nova no Ibirapuera

SÃO PAULO - O show ¿A nova geração canta a bossa eternamente nova de João Donato¿, realizado ontem no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, deixou o público com uma nostalgia gostosa dos ¿anos dourados¿ da bossa nova graças à improvisação do compositor e seus convidados. A apresentação tem repeteco nesta quarta-feira (09), a partir das 17h, desta vez com entrada gratuita e do lado de fora do Auditório.

Ana Clara Werneck |

O início, às 21h35, parecia bem ensaiado: o diretor Nelson Motta foi à frente do palco e derramou elogios a Donato, a quem classificou como um dos mais talentosos e originais dos nossos compositores. As cortinas se abriram quando Motta terminou seu texto dizendo: Boa noite, João Donato! Divirta-se!.

A primeira convidada a dividir a cena com a Orquestra Ouro Negro foi Bebel Gilberto, que deu início aos trabalhos dizendo: Tô nervosa, tenho que contar a verdade!. Depois de três canções, ela chamou ao palco Adriana Calcanhotto, para cantarem juntas Bananeira. O show, que estava morno até ali, ganhou animação quando as duas cantoras inventaram uma dancinha cheia de charme para acompanhar a canção.

Depois que Bebel saiu, Adriana não parecia tão à vontade. Ficou a maior parte do tempo cantando parada no centro do palco, mesmo quando entoou Naquela estação, música muito conhecida em sua própria voz.

A participação de Fernanda Takai começou com um chiado no som que impedia o público de ouvi-la. Quase no fim da primeira música, o roadie trouxe outro microfone. Eu não estava me ouvindo, mas achei que estava tudo bem para vocês, aí continuei com cara boa, desculpou-se e continuou seu set list sem muita animação.

Quando Marcelo Camelo subiu ao palco, ele bem que tentou empolgar com Terremoto, mas a platéia paulista permanecia receptiva, porém passiva. O som da orquestra não ajudou neste momento, pois era mais alta que a voz sussurrante de Camelo. Depois dele, Roberta Sá entrou e fez bonito com acordes afinados.

Mas o melhor do show estava por vir. Roberta e Camelo chamaram ao palco João Donato, que assistia a todo o show escondido em uma das entradas laterais. No piano, ele tocou e cantou cheio de disposição Chorou, chorou.

Ao fim da canção, perguntou: Tem que chamar as meninas, as Donatitas?. Adriana, Bebel, Fernanda e Roberta entraram novamente e cantaram com Donato Ê menina em clima de improvisação. Quando o público já se perguntava se Marcelo D2 ainda viria, eis que ele surge com uma história hilária sobre Balança: O João fez uma música e eu botei a letra. Hoje eu vim aqui e a produção me mostrou o que eu tinha que cantar. Eu disse, Que letra bacana. É sua mesmo, responderam. 

Apesar de o som de D2 não ter nada a ver com a bossa nova, ele trouxe uma empolgação que estava faltando ao público. Gritava sem parar: Vamos fazer barulho aê!, e inventava alguma coisa na música em ritmo de rap. 

Após esta, todos se reuniram para cantar a clássica A paz novamente de improviso. Fernanda disse: A gente não ensaiou isso, de verdade. Não façam isso em casa!. E, por fim, todos juntos interpretaram Nasci para bailar, que, depois de uma chuva de aplausos, foi ouvida pelo foyer do Auditório Ibirapuera durante muito tempo, nas vozes dos espectadores felizes pela noite de bossa-nova, maxixe, rap...

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