JBS assumirá 5 plantas do Quatro Marcos em MT

O Grupo JBS vai assumir a operação de cinco das seis plantas que o frigorífico Quatro Marcos mantém em Mato Grosso e que estão com os abates paralisados desde que a empresa entrou em recuperação judicial, no final do ano passado. As unidades de Cuiabá, Colider, Juara, Alta Floresta e São José dos Quatro Marcos serão arrendadas pelo JBS.

Agência Estado |

A assessoria de imprensa do grupo, no entanto, disse que não tinha até hoje nenhuma informação sobre a negociação, mas que assuntos relacionados a arrendamentos e aquisições devem ser anunciados de forma oficial.

Apesar de não confirmar o negócio, o gerente de produção da JBS, Lucas Tonelli, e o gerente de recursos humanos, Ruane Morêz, já estiveram reunidos com o prefeito de Juara para acertar detalhes da contratação de pelo menos 300 funcionários. A ideia é que os abates na planta localizada no município, que tem capacidade para abater até 1.000 cabeças por dia, tenham início até final de julho. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Juara, o processo de seleção dos funcionários teve início na manhã de hoje. Segundo uma fonte, em Alta Floresta já teria uma pessoa do JBS responsável por realizar as primeiras compras e começar a formar a escala de abate.

A escolha de Juara não é por acaso. O município tem o maior rebanho bovino de Mato Grosso, com pouco mais de 800 mil cabeças, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Além disso, o grupo passa a ter uma presença em praticamente todas as regiões de Mato Grosso. Com a cinco plantas que foram arrendadas, o JBS vai conseguir elevar em mais 5.200 cabeças por dia sua capacidade de abate em Mato Grosso. Além disso, a empresa eleva para nove o número de unidades que tem no Estado. Além das plantas arrendadas, o JBS já possui unidades de abate em Barra do Garças, Pedra Preta, Cárceres e Araputanga.

Apesar de reativar cinco importantes plantas que estavam paradas em Mato Grosso, o investimento do JBS pode não ocorrer de forma tranquila. Mesmo sendo um arrendamento das unidades, os pecuaristas que forneciam gado para o Quatro Marcos já deixaram claro que só atenderão a demanda das plantas se a dívida de aproximadamente R$ 40 milhões que o Quatro Marcos ainda tem com os produtores for paga. "Não vamos aceitar que eles (JBS) entrem sem que o passivo existente do Quatro Marcos seja acertado", disse Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Mesmo com a possibilidade de alguns entraves na comercialização, a reativação de cinco plantas que estavam paradas, totalizando uma capacidade diária de abate de 5.200 cabeças, é muito bem vista pelo mercado. Alguns corretores consideram que pode haver uma sustentação nos preços do Estado, ainda mais em um período em que a oferta de gado tende a ser menor. "A entrada do JBS pode ajudar os produtores também no que se refere ao desconto das promissórias, já que a empresa tem um banco próprio", afirma Vacari.

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