Jazz Sinfônica celebra 20 anos com apresentações em SP

Sentado na primeira fileira do teatro Caetano de Campos, o maestro Cyro Pereira, 81 anos, transbordava de satisfação ao ouvir, repetidas vezes, a orquestra que ajudou a criar ensaiando uma versão de Manhã de Carnaval, composição de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Por que ele não estava no palco, regendo? Com a minha idade, tive de tirar o pé.

Agência Estado |

Mas tenho muito prazer em ouvi-los. É como se contassem minha história", diz.

A orquestra que se confunde com o seu maestro residente é a Jazz Sinfônica, que neste mês celebra 20 anos de existência. Hoje formada por 82 músicos e dona de um repertório de aproximadamente 1. 300 partituras, a Jazz (como é carinhosamente chamada) realiza 40 concertos por ano, quase sempre acompanhada por nomes importantes da MPB, como Gal Costa, João Bosco, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e outros. Seu orçamento anual é de R$ 6,5 milhões e a média salarial dos seus músicos é de R$ 2. 200. Ainda não existe nenhuma agenda especifica de comemorações para o aniversário, mas apresentações especiais foram marcadas com a cantora Fabiana Cozza e Paquito de Rivera.

A ideia de criar uma orquestra que aposentasse Beethoven, Bach e outros clássicos e, no lugar deles, executasse um repertório genuinamente popular, foi do músico e compositor Arrigo Barnabé. Em 1990, ele participava da equipe do então secretário estadual da cultura, Fernando Moraes, no governo Orestes Quércia. "Eu cheguei com várias ideias. Queria, por exemplo, fazer um festival com Frank Zappa e outros músicos experimentais. Mas, é claro, essa proposta não colou. Consegui emplacar a ideia de uma orquestra popular", fala Barnabé.

Mesmo com a criação da orquestra aprovada, ele tinha dificuldade para encontrar quem quisesse dirigi-la. Foi aí que Barnabé chamou o cantor e compositor Eduardo Gudin para recrutar músicos e outros profissionais. "Tentei convencer o Cyro Pereira, que já tinha sido procurado pelo Arrigo, mas havia reclinado", conta Gudin. Cyro Pereira era o nome que Gudin tinha como fundamental para a criação da orquestra. Ele era o maestro e arranjador que, segundo Gudin, melhor saberia unir o erudito e o popular. "Depois de muita conversa, ele finalmente aceitou o convite", diz Gudin. Em abril de 1990, a Jazz Sinfônica começou seus ensaios.

"Hoje o público se identifica tanto com a orquestra que já espera nossas versões para Asa Branca (Luiz Gonzaga), Zanzibar (Edu Lobo), Frevo de Orfeu (Nelson Ayres) e Aquarela de Sambas (Cyro Pereira)", diz o maestro titular, João Maurício Galindo. "O público foi conquistado quando os próprios músicos eruditos começaram a entender que tocar um repertório popular pode ser tão nobre como executar um autor clássico", declara. As informações são do Jornal da Tarde.

Jazz Sinfônica convida Fabiana Cozza - Dias 23 e 24 de abril, às 21h, no Auditório Ibirapuera (Parque Ibirapuera). Grátis. Jazz Sinfônica convida Stan Kenton, Fuego Cubano . Dia 5 de maio, às 21h, no Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195). Tel. (011) 3095-9400. Grátis. Jazz Sinfônica convida Paquito de Rivera . Dias 28 e 29 de maio, às 21h, no Auditório do Ibirapuera (Parque do Ibirapuera). Grátis.

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