SALVADOR - O governador Jaques Wagner (PT) chegou a Brasília nesta quarta-feira e o prefeito João Henrique (PMDB) está lá desde terça. O curioso é que os dois cumprem quase as mesmas agendas, mas seguem roteiros separados um do outro. Enquanto o prefeito está sendo ciceroneado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), o governador é recebido pelos deputados federais das bancadas baianas dos partidos aliados ao seu governo.

Informações de bastidores dão conta de que Wagner tem evitado contato com Geddel em função das desavenças políticas locais envolvendo o PMDB e o PT, como informa o jornal "Tribuna da Bahia".

Wagner chegou a Brasília antes do meio-dia de quarta-feira para contatos com parlamentares e ministros com a finalidade de discutir as propostas do governo da Bahia para o Orçamento da União de 2009. Uma das preocupações do governador são os prováveis cortes que podem acontecer por conta da crise econômica.

O primeiro encontro do governador em Brasília foi com o deputado Walter Pinheiro (PT), que perdeu a disputa pela Prefeitura de Salvador para João Henrique. Embora pareça estranho, antes de se encontrar com o governador Jaques Wagner o deputado Colbert Martins (PMDB), coordenador da bancada baiana na Comissão do Orçamento, conversou primeiro com o ministro Geddel Vieira Lima sobre ações para agilizar a liberação de recursos para a Bahia oriundos das emendas parlamentares.

Nos encontros de Brasília, o governador conversou também com os deputados Nelson Pelegrino e Zezéu Ribeiro (PT), Daniel Almeida e Alice Portugal (PCdoB), e Lídice da Mata (PSB). No inicio da noite, Wagner esteve com os deputados da bancada baiana, na Câmara, para solicitar apoio às prioridades sobre o orçamento de 2009.

Segundo informou um assessor do governador Wagner, do total das propostas oriundas de emendas coletivas dos parlamentares baianos, o governo está propondo 11 emendas que, se aprovadas, representam R$ 366 milhões com recursos que seriam destinados a investimentos nas áreas de infra-estrutura, transporte, abastecimento de água, turismo, ciência e tecnologia, saúde e saneamento básico. As emendas entram na previsão orçamentária de 2009, mas não tem garantia da liberação dos recursos.

Hoje à tarde,  o governador terá audiências com os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e José Múcio (Relações Institucionais). À noite, Wagner viaja com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Foz do Iguaçu (PR), onde participará do Foro Consultivo de Prefeitos e Governadores do Mercosul, no Parque Tecnológico de Itaipu.

Também presente em Brasília, o prefeito João Henrique cumpriu um roteiro sempre diferente do governador Jaques Wagner, mesmo que tenham participado do mesmo evento com a bancada baiana na Câmara dos Deputados, onde tiveram um encontro apenas casual. João Henrique aproveitou o encontro com a bancada baiana na Câmara para analisar o Orçamento de 2009 e as prioridades para Salvador.

Sempre acompanhado pelo ministro Geddel Vieira Lima, o prefeito esteve ontem à tarde com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, para discutir a liberação de recursos para viabilizar projetos de obras e programas em Salvador. Ele participou também de uma reunião da bancada do PMDB na Câmara com o presidente do partido, deputado Michel Temer. Na terça-feira, 4, João Henrique teve uma série de encontros políticos e administrativos. Além do encontro com o ministro Geddel Vieira Lima, ele esteve no Tribunal de Contas da União com o ministro Aroldo Cedraz, onde tratou de assuntos relacionados ao metrô de Salvador. Hoje, o prefeito retorna de Brasília.

Longe das intrigas, o ministro Geddel disse que pensa apenas em ajudar o prefeito conseguir recursos para a prefeitura. Ontem pela manhã, numa entrevista à rádio Nova Salvador FM, Geddel declarou que está exercendo o papel de relações públicas da Bahia para conseguir mais recursos para Salvador, e que as divergências com o PT e o governador são coisas do passado.

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