Jantar pró-Alckmin não deve mudar posição de Serra

O jantar organizado ontem pelo Diretório Municipal do PSDB para celebrar os 20 anos da sigla e arrecadar fundos para a campanha do candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, não atingiu um de seus principais objetivos: marcar a entrada definitiva do governador do Estado, José Serra (PSDB), nesta campanha. Serra foi ao evento, mas manteve posição protocolar.

Agência Estado |

Falou de unidade, do PSDB, e Alckmin mereceu apenas duas menções em seu discurso de 20 minutos. Ao contrário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não colou o adesivo de campanha de Alckmin na lapela.

O atraso de Serra provocou apreensão entre os tucanos que chegaram antes das 22 horas à sede do Jockey Club, no centro da capital paulista. Ele chegou tarde e saiu cedo. De bom humor, o governador paulista relembrou toda a história de seu partido, elogiou bastante FHC. Chamou-o de "irmão mais velho" e destacou que o ex-presidente "semeou o Brasil do século 21". Sobre o candidato da coligação "São Paulo, na Melhor Direção" (PSDB-PTB-PHS-PSL-PSDC), restou a Serra destacar sua atuação como governador.

"No meu governo não tenho os mesmos índices de aprovação que o Geraldo chegou a ter", disse. Lembrou ainda a importância de evitar a volta de seus antecessores à Prefeitura, em referência direta à candidata petista Marta Suplicy, da coligação "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB). "Nós recebemos São Paulo absolutamente falida. Acho que São Paulo avançou bastante e tem muito ainda a avançar", afirmou. "É uma campanha muito importante para delimitar lados. Temos que olhar para o futuro da cidade, para que não volte àquilo que a cidade teve durante tanto tempo."

Serra se referiu indiretamente aos resultados das mais recentes pesquisas de intenção de voto, que mostram Alckmin em queda, tecnicamente empatado com o prefeito e candidato à reeleição pela coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC), Gilberto Kassab. "Pesquisa a gente muda com a luta. Esta luta é que o Alckmin está travando com o nosso apoio e com o apoio do PSDB, por São Paulo."

De fininho

Ainda no discurso, Serra classificou a campanha como "complexa, com condições que todos conhecem" e recorreu a um livro de Rubem Fonseca para traduzir o atual momento delicado que vive nesta campanha: "Vastas emoções, sentimentos imperfeitos". O governador foi um dos primeiros a deixar o local, assim que terminaram os discursos. Saiu por uma porta dos fundos, sem falar com a imprensa. O jantar foi marcado também pela ausência dos chamados tucanos kassabistas, vetados pela cúpula do Diretório Municipal.

Já o ex-presidente Fernando Henrique pregou a adoção de uma linha de campanha mais agressiva, sobretudo contra o PT, mas não parece ter sido ouvido por Alckmin. Em vez de mirar o PT de Marta Suplicy, Alckmin preferiu listar algumas deficiências da atual gestão municipal, sem citar o nome de Kassab, que nos bastidores continua a receber o apoio do governador José Serra.

De acordo com fontes ligadas ao comando tucano de campanha, apesar da evidente falta de entusiasmo e empenho de Serra em relação à campanha de Alckmin, o jantar de ontem foi considerado um sucesso - foram vendidos 400 convites, ao preço de R$ 1 mil cada, dentro da meta prevista, importante para uma campanha que reclama de falta de recursos.

Durante o jantar, um dos coordenadores da campanha de Alckmin, o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), reiterou que o tucano deverá disputar o segundo turno com Marta Suplicy (PT). "O Geraldo saiu do governo com 69% de aprovação, e a Marta saiu da Prefeitura sem ser reeleita. Foi reprovada", disse ele. Para Aparecido, o PSDB tem um histórico positivo de gestão, com marcas na cidade e no Estado. Questionado sobre se o DEM teria também esta marca, desconversou.

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